ANCESTRAIS – I

O filho perguntou pro pai:/ “Onde é que tá o meu avô/ O meu avô, onde é que tá?” O pai perguntou pro avô:/ “Onde é que tá meu bisavô/ Meu bisavô, onde é que tá?”/ Avô perguntou pro bisavô: “Onde é que tá meu tataravô/ Tataravô, onde é que tá?”/ Tataravô, bisavô, avô/ Pai Xangô, Aganju/ Viva egum, babá Alapalá!

Esse é um pequeno trecho da música composta por Gilberto Gil lá pelo final dos anos 70, e que tem o nome de “Babá Alapalá”. Se quiser ouvi-la clique no endereço abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=cXOe-aGxaSY

Ouvindo essa música, recentemente, pensei: e meus avós, onde é que estarão? Tentarei relembrar de alguns dados deles que conheço. Mas, pensando bem, considerando-se que existe apenas uma raça humana, a rigor e ao fim e ao cabo, como nenhum gene é uma ilha, nem precisaria fazer isso, pois todos nós – os humanos – somos parentes e formamos uma grande família, conforme afirma o prof. Sérgio Pena, médico-geneticista da UFMG: http://cienciahoje.uol.com.br/podcasts/008-Tao-diferentes-tao-parecidos.mp3/view?searchterm=sergio%20pena

Todavia, levando-se em conta o surgimento de teorias científicas comprovando que o estilo de vida, bem como os fatores ambientais podem influenciar os genes e repercutirem nos descendentes por pelo menos cinco gerações e, acrescentando-se a isso, que os progressos científicos do projeto Genoma Humano nos desperta a curiosidade em saber sobre nosso DNA, decidi escrever um pequeno histórico de minha família.

Embora a tendência natural dos familiares seja a de encobrir doenças e maus hábitos de seus parentes, fingindo perfeição, provavelmente baseados na idéia religiosa de que a doença é um castigo divino e por isso sentem vergonha ou, talvez, porque acreditem que ao falar do mal possam atraí-lo, a verdade é que todos nós precisamos estar cientes de nossos traços genéticos, porque o direito à informação é indispensável.

O fenômeno da negação na sociedade humana, entretanto, é recorrente. Faz-me lembrar de Bernarda Alba, personagem criada pelo poeta espanhol Garcia Lorca que, quando perguntada sobre algo estranho que ocorria dentro de sua família, ela sempre respondia rispidamente: “Aqui no pasa nada!”. Lembra-me, ainda, a letra da canção de Chico Buarque  e Edu Lobo, “A Ciranda da Bailarina” que em seus versos diz, com ironia, que todo mundo tem problema na família, só a bailarina que não tem…

Por outro lado, é sempre bom sabermos como viveram nossos avós, bisavós, tataravôs e quanto mais pudermos pesquisar. Além do que, é uma fofoca imensa e bem divertida podermos saber da vida alheia… mas nem tão alheia assim… E esse conhecimento poderá ser útil para que a atual geração se reconheça em seus antepassados e possa transmitir essas informações – como fazem as tribos indígenas – para os mais jovens e para os que ainda irão nascer.

Não farei uma árvore genealógica e nem obedecerei a critérios científicos. Apenas contarei uma estória descrevendo fatos corriqueiros e não darei uma aula de história. Por falta de elementos não atingirei a vida de meus tataravôs. Focarei na vida dos meus pais, avós, tios e ficarei contente em saber ao menos os nomes dos meus bisavós. Espero que alguém pegue este bastão e prossiga nas pesquisas.

Começando por mim, pois a perspectiva desta narrativa será a minha e das minhas circunstâncias, sou brasileira, filha de brasileiros, asmática desde criancinha, sofro de ansiedade e sou hiperativa. Entre os meus 21 e 45 anos de idade, bebi cervejas com exagero e, embora não devesse, fumei tabaco, mas moderadamente. Estou aposentada do trabalho desde 1994, mas não parei na vida, faço mil coisas… Aos 58 anos, descobri um câncer (melanoma) no fundo do olho esquerdo, que foi combatido com radioterapia e está sob controle até agora. Aos 61 anos, recebi o diagnóstico de arritmia cardíaca e tive de submeter-me a uma ablação. Sou viúva de José Vicente Pasqualino, que era divorciado e com quem me casei e tive uma única filha, a Beatriz. Meu marido tinha outras três filhas do seu primeiro casamento. Ele faleceu em 22 de maio de 2006.

Sou paulistana, nascida no bairro do Tatuapé, na cidade de São Paulo. Mas, como a maioria dos brasileiros, também sou miscigenada. Meio cabocla/mameluca e meio germânica. Pareço uma pizza: meio milho e meio salsicha… Explico: por parte de minha mãe Cecilia, nossa ancestralidade é essencialmente formada por paulistas católicos, mas por parte de meu pai Máximo, há ancestrais imigrantes alemães luteranos.

Na formação da parte paulista de minha família, certamente, houve ascendência de portugueses e índios – talvez até de africanos, embora não haja registro – portanto, somos caboclos mestiços sem qualquer sombra de dúvidas, pois foi essa a formação do povo paulista. Pena não ter notícias também dos indígenas. Nem temos sequer notícias de algum(a) português(a) legítimo que faça parte de nossa linhagem direta, se e quando tenha aportado no Brasil. Portanto deve ser bem longínqua essa raiz. O uso do sobrenome Amaral é muito antigo e bastante espalhado por inúmeros lugares do território brasileiro. Mas isso pouco importa. O que importa mesmo é admitirmos que somos miscigenados. Isto já será de grande valia: repudiar toda e qualquer louca pretensão de pureza genética. Somos todos iguais e não há condes nem marquesas em nossa linhagem direta. Nobreza? Apenas a do caráter. E já vale uma riqueza!

http://recantodasletras.uol.com.br/biografias/341309

“Memória”
A José Osório,

Minha família anda longe, /com trajos de circunstância: uns converteram-se em flores, /outros em pedra, água, líquen; /alguns de tanta distância, /nem têm vestígios que indiquem uma certa orientação.

Minha família anda longe, /— Na Terra, na Lua, em Marte – /uns dançando pelos ares, /outros perdidos no chão. /Tão longe, a minha família! /Tão dividida em pedaços!/Um pedaço em cada parte…/Pelas esquinas do tempo,/brincam meus irmãos antigos:/uns anjos, outros palhaços…/Seus vultos de labareda/rompem-se como retratos/feitos em papel de seda./Vejo lábios, vejo braços,/— por um momento, persigo-os;/de repente, os mais exatos /perdem sua exatidão./Se falo, nada responde./Depois, tudo vira vento,/e nem o meu pensamento /pode compreender por onde /passaram nem onde estão…

Minha família anda longe./Mas eu sei reconhecê-la:/um cílio dentro do oceano,/um pulso sobre uma estrela,/uma ruga num caminho /caída como pulseira, /um joelho em cima da espuma,/um movimento sozinho /aparecido na poeira…/Mas tudo vai sem nenhuma/noção do destino humano,/de humana recordação.

Minha família anda longe./Reflete-se em minha vida,/mas não acontece nada:/por mais que eu esteja lembrada,/ela se faz de esquecida;/não há comunicação!/Uns são nuvens, outros lesma…/Vejo as asas, sinto os passos/de meus anjos e palhaços, /numa ambígua trajetória /de que sou o espelho e a história./Murmuro para mim mesma:/”É tudo imaginação!”

Mas sei que tudo é memória…

(Cecília Meireles, in Flor de poemas. Coleção Poiesis, Editora Nova Fronteira. 16ª. Edição, 1983, p. 89-90.)

Certa vez, em maio de 2006, fui contatada por e-mail de um certo professor mexicano, Sr. Rogelio Amaral, comunicando-me que estava construindo um portal com a trajetória do clã dos Amaral no México e no mundo todo. Dizia haver me encontrado por acaso, navegando pela internet, tendo anotado meu nome – apesar de grafado incorretamente pois acrescido de um estranho “Santos” que não existe – e de fato vi que estou lá : http://www.clanamaral.com

Minha mãe nasceu em 05 de outubro de 1920, na cidade de Capivari no estado de São Paulo. Recebeu o nome de Cecília Vaz do Amaral. Nessa cidade vivia a família de seu pai, Job Vaz do Amaral (meu avô), sendo que a mãe dela, Maria de Lourdes Guimarães do Amaral (também conhecida por Mariquinha, minha avó) vivia em Capivari desde criança, mas nascera em Taubaté, cidade paulista, e viera de lá junto com seus pais (meus bisavós) Faustino Pereira Guimarães, nascido em 29 de outubro de 1854 na cidade de Paraibuna, SP  e Cornélia Pereira Lima, nascida em 26 de outubro de 1864 na cidade de Caçapava, SP. Na minha certidão de nascimento e também na de meus irmãos, o nome de minha avó está escrito errado: Maria Deluves!!

Meu bisavô Faustino era relojoeiro e ourives, mas também era apicultor e cultivava o bicho da seda. Saiu de Taubaté por volta de fins do século XIX, certamente por causa da decadência econômica da região do Vale do Paraíba e foi se aventurar na nova Capivari. Tenho a vaga impressão de que conheci esse bisavô, quando contava com uns 3 ou 4 anos de idade e fui levada para passear em Capivari por meu tio-avô Humberto Guimarães. Meus bisavós tiveram seis filhos: Mariquinha, Nenê (Hermínia), Leonor, Joaninha, Gastão e Humberto, sendo que apenas minha avó e seus irmãos  Humberto e Gastão se casaram e tiveram filhos.

http://www.capivari.sp.gov.br/acidade/index.php

Meus avós formaram ali na cidade de Capivari, a família Guimarães & Vaz do Amaral, composta por nove filhos: Maria Izabel, Joanna D’Arc, João, Cornélia, Job, Gastão (falecido quando criança), Tarcísio, Cecília e Laura (falecida ainda bebê). Com exceção de meu tio Tarcísio que permaneceu solteiro, todos meus tios (as) se casaram e tiveram filhos. Meus tios João e Job faleceram na meia-idade, em conseqüência de câncer. Minhas tias Joana e Cornélia, faleceram após terem atingido mais de 90 anos e sem doenças graves. Amei a todos eles, sem exceções.

Mas meu tio Tarcísio que fazia aniversário junto comigo no dia 22 de abril – nascido em 1916 e falecido no ano de 2005, aos 89 anos de idade – como sofria de transtornos psíquicos desde jovem, teve esse quadro agravado ao final de sua vida, perdendo a memória e a fala quando já estava com seus 86 anos. Permanecem vivas, felizmente, até hoje duas irmãs viúvas: a mais velha, Maria Izabel (Bebé) com 104 anos, boa saúde e lúcida, e a caçula Cecília, minha mãe, com 89 anos de idade, com boa saúde física, mas que já dá sinais de perda importante da memória recente.

Meu avô materno, Job Vaz do Amaral, nasceu na cidade de Capivari, em 22 de agosto de 1880 e veio a falecer bastante jovem, com 46 anos apenas, vítima de um infarto em 05 de outubro de 1926 na cidade de Penápolis. Era dia de aniversário de minha mãe.  Minha avó e filhos estavam estabelecidos naquela cidade, pois meu avô trabalhava ali na administração de uma fazenda. Ele abusava de bebidas alcoólicas. Era filho de Maria Izabel Ferraz do Amaral e João Vaz Pinto (meus bisavós), que tiveram cinco filhos: Job, Cota Ché (Maria Cândida), Luiza, Benedito e Ló (Jerônimo).

Meus avós também haviam vivido um bocado de tempo na cidade de São Pedro, onde nasceram meus tios Job e Cornélia. Depois de, aproximadamente, dois anos da morte do marido dela, minha avó Mariquinha decidiu sair de Penápolis, porque a situação econômica da família estava bastante ruim. Ela e todos os sete filhos partiram de trem buscando trabalho na cidade de São Paulo, de onde nunca mais saíram, exceto minha tia Cornélia que, ainda jovem, casou-se e retornou para o interior do Estado, mudando-se para a cidade paulista de São José do Rio Preto.

http://www.youtube.com/watch?v=QtJ8ro1NSh0&feature=related

Vó Mariquinha

 

Minha avó Mariquinha, fumava cigarros de palha, costurava e, além de ter criado a filharada toda quando moça, na maturidade passou a viver um tempo na casa de cada filho,  ajudando a cuidar dos vários netos. Ela implicava com as mini-saias que eu e minha irmã usávamos na juventude. Nascera em 29 de julho de 1884 e faleceu na cidade de São Paulo, aos 88 anos de idade, em 11 de dezembro de 1972, em conseqüência de um edema pulmonar. Deixou vinte e hum netos: Maria Apparecida, Daisy, Myrian, Lourdes, Laura, Roberto, os gêmeos Irene e Sérgio, Júlio, Miguel, Inês, Ana Maria, Fátima, Paulo César, Eduardo (falecido na adolescência, por problemas renais), Maria Teresinha, Antonio, Ubirajara (falecido aos 21 anos, vítima de acidente de carro), Oscar, Raul e Job. Com exceção da prima Cida,  do primo Antonio e de meu irmão Oscar, todos os netos de minha avó se casaram e tiveram filhos.

Sobre essa descendência caipira paulista – com muita honra! – sei que o sobrenome Amaral era e é muito comum naquela região de Capivari-Itú-Jaú, e que muitos integrantes dessas famílias participaram ativamente do desbravamento daquele pedaço de sertão. Havia ali os “Amaral dos pés-limpos” e os “Amaral dos pés-sujos”, que significava a divisão entre ricos e pobres. Eu descendo da parte dos “Amaral dos pés-sujos” é claro, ou seja, daqueles que não eram proprietários de fazendas de café/chá/algodão/cana-de-acúcar, mas sim trabalhavam nas fazendas pertencentes à “parentaia dos pés-limpos”.

Minha família, desde nossos tataravós, sempre pertenceu à classe média trabalhadora e foram “pobres de marré deci”. Nunca amealharam fortuna. A preocupação deles, além da sobrevivência é claro, era de que todos os filhos ao menos concluíssem o antigo curso primário. Sua sabedoria foi conquistada na labuta diária e todo conhecimento veio por intermédio de nossa tradicional oralidade. Até a chegada de minha geração, em nossa família ninguém tivera a oportunidade de ingressar num curso do ensino superior.

A pintora Tarsila do Amaral, nascida em Capivari – mas que pertencia à turma “dos pés-limpos”, pois era filha de fazendeiro – pintou lindamente um quadro mostrando as pessoas simples que faziam a viagem de trem na segunda classe:

http://i26.photobucket.com/albums/c140/nuvensatlantico/jkmodernista_f_022.jpg

Meus pais, por sua vez, casaram-se na cidade de São Paulo, no dia 20 de janeiro de 1945, tendo minha mãe passado a chamar-se Cecilia do Amaral Buschel, e tiveram seis filhos: Júlio, eu, Maria da Penha (falecida recém-nascida), Fátima, Oscar e Raul. Meu pai devia ter mais do que apenas o curso primário, pois escrevia e lia muito bem, além de falar e ler no idioma alemão. Na vida adulta trabalhou em casas de jogos de azar, que em 1947 – quando eu nasci – foram proibidas de funcionar pelo governo federal.

Meu pai nunca se recuperou emocionalmente do longo desemprego que se seguiu. No final de sua vida, aos 53 anos de idade, era funcionário administrativo do DAE -Departamento de Águas e Esgoto de São Paulo. Faleceu no dia 14 de novembro de 1968, em conseqüência de um câncer localizado nas vias respiratórias. Era asmático, jogador compulsivo, e abusava de tabaco e bebidas alcoólicas.

Minha mãe não se casou novamente e tem hoje seis netos: Cláudia, Felipe, Juliana, Raquel, Beatriz e Bruno. Devido ao desemprego e alcoolismo de meu pai, ela trabalhou muito costurando roupas para sustentar seus filhos. Contou, porém, com a ajuda de seus familiares e por isso lhes sou eternamente grata. Ainda jovem, ela aprendeu a costurar calças masculinas, trabalhando com seu irmão João, que era alfaiate e mantinha uma alfaiataria na Praça da Sé.

Minha mãe, quando tinha quatro anos de idade, sofreu um grave acidente doméstico, ocasião em que derrubou sobre si um bule de café fervente que lhe atingiu o pescoço, peito e parte do abdômen. Recuperou a saúde, mas lhe restaram cicatrizes dessas queimaduras. Ela desde jovem apresentou sintomas depressivos, dentre eles melancolia, indecisão e medo. E sempre foi crítica feroz de tudo e de todos. Mas nunca fumou tabaco ou fez uso de bebidas alcoólicas. Teve dificuldades em colocar-se no mundo adulto, mas muita facilidade para comunicar-se com crianças, ao lado de quem sempre ficou alegre e bem feliz.

Ela inundou nosso imaginário infantil com lembranças de Amadeu Amaral, Rubens do Amaral e Tarsila do Amaral, bem como com as histórias de Cornélio Pires e contos do Pedro Malazartes. Ensinava-nos a cantar a música “Romance de uma caveira” da dupla caipira Alvarenga e Ranchinho e levava-nos sempre ao cinema do bairro. Nutria verdadeira obsessão em ver seus filhos diplomados numa Universidade e não nos dava trégua nos estudos. Conseguiu realizar seu sonho, felizmente.

Quando pequenos, meu irmão mais velho e eu, ajudávamos nas tarefas domésticas, nos cuidados com os irmãos menores e vendíamos pela vizinhança os chuchus  e milhos que cultivávamos no quintal das casas onde morávamos no bairro da Vila Clementino, nas ruas 11 de junho e Altino Arantes. A minha irmã Fatima, com apenas 7 anos de idade, nos ajudava a vendê-los também. O Júlio ainda ganhava mais algum dinheiro, recolhendo as bolinhas durante jogos de tênis dos ricos sócios do Clube Ypê, localizado no bairro do Ibirapuera. Na adolescência, lá pelos 15/6 anos, fomos ambos trabalhar fora de casa, para ajudar no sustento da família.

Trabalhávamos durante o dia e estudávamos à noite em escolas públicas. O Júlio foi ser “office-boy” no Citibank e eu fui ser “office-girl” num escritório de contabilidade chamado “OCRA”. Ele estudava no Colégio de Aplicação da USP e eu no Colégio Estadual “Prof.Macedo Soares”, ambos localizados no bairro da Barra Funda. Voltávamos juntos, bem tarde da noite e de ônibus, para o bairro da Vila Guarani onde morávamos à época. Minha irmã Fátima estudava no Colégio Estadual “Brasilio Machado”, na Vila Mariana e, pouco antes de completar dezessete anos começou a trabalhar numa editora de livros. Nossos outros irmãos mais jovens, o Oscar que estudava no Colégio Estadual “Cel.Domingos Quirino Ferreira, no bairro da Vila Guarani e o Raul que estudava no Colégio Estadual “Prof. Alberto Levy”, no bairro do Planalto Paulista (onde todos  nós fizéramos o antigo curso ginasial), já puderam iniciar sua vida de trabalhadores após os 18 anos de idade.

Como a regra familiar é a de que se freqüente mais a família materna, pois são as mães que cuidam das crianças, naturalmente que nossa herança cultural é predominante dos paulistas: falamos com sotaque caipira (porrrta!) e gostamos de comer arroz com feijão e bife e, de sobremesa, doce de banana ou goiabada cascão com muito queijo!

Mas também comemos chucrutes, batatas e salsichas e gostamos demais de folhado de maça (apfelstrudel) e da música alemã. Mas, infelizmente, não aprendemos o idioma alemão. Do pouco que aprendi, apenas restaram algumas palavras tais como: bitte (pedir, por favor), entschuldigen (pedir desculpas), liebe (amor), dank (agradecimento), schnell (depressa) e auf wiedersehen! (tchau, adeus!)   http://www.youtube.com/watch?v=hXBmygI-N3M&feature=related

Agradeço as informações que me foram dadas por minha tia e madrinha Maria Izabel (a tia Bebé), por minha mãe Cecília, meu primos Toninho, M.Apparecida e Irene.

Nesta caminhada aprendi muita coisa sobre a vida de meus antepassados, que antes eu desconhecia. Fiquei contente em poder contar esta estória que é, de certa maneira, a história de uma brava gente da qual sinto muito orgulho.

Em outro texto, logo a seguir, falarei sobre a brava gente germânica da qual também descendemos.

Até mais ver!

Inês do Amaral Büschel, escrito em 26 de junho de 2010.

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