E NÃO SOBROU NINGUÉM, de Martin Niemöller

Comemora-se hoje os 67 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, proclamada em 10 de dezembro de 1948. Para lembrar esta data, quero neste momento contribuir para dar maior visibilidade – nunca será direitos-humanos-power-pointanibal1-14-728demais repeti-lo – a um expressivo poema escrito por Martin Niemöller (1892-1984), a que se deu o nome de   ” E não sobrou ninguém “.

Ele desvelava com suas palavras a conduta de indiferença para com o outro. Criticava a covardia de muitos e, sobretudo, a neutralidade e omissão da maioria silenciosa frente às atrocidades cometidas por agentes do Estado.

martin-niemoller-4Niemöller foi um cidadão alemão, que lutou contra as violações de direitos humanos cometidas pelos nazistas, na Alemanha, durante o período da II Guerra Mundial (1939-1945). Ele pertencia à Igreja Luterana e exercia o ofício de pastor religioso protestante.

Segundo relatos, essas palavras foram proferidas em seus discursos e sermões, inspiradas na leitura de poemas escritos pelo sensível poeta russo Vladimir Maiakóvski (1893-1930). Se você, caro(a) leitor(a) desejar saber mais sobre Niemöller, bastará clicar no link abaixo:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Niem%C3%B6ller

São estas as belas palavras e o ensinamento que nos deixou Martin Niemöller:

E não sobrou ninguém

 primeiro levaram os comunistas

mas não me importei com isso

eu não era comunista;

em seguida levaram os sociais-democratas

mas não me importei com isso

eu também não era social-democrata;

depois levaram os judeus

mas como eu não era judeu

não me importei com isso;

depois levaram os sindicalistas

mas não me importei com isso

porque eu não era sindicalista;

depois levaram os católicos

mas como não era católico

também não me importei;

agora estão me levando

mas já é tarde

não há ninguém para

se importar com isso. 

 

A autoria desses versos, vez ou outra, tem sido, equivocadamente, atribuída ao poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898/1956).

Nestes tempos atuais em que vivemos, infelizmente, ainda nos cabem bem essas palavras de Niemöller. Às vezes, parece-me que a Humanidade ainda não aprendeu tudo que deveria ter aprendido, após tanto sofrimento atroz. Nós não podemos ter medo. E se o tivermos, teremos de enfrentá-lo como adultos que somos.

A indiferença social para com os desvalidos, sejam eles pessoas desempregadas, refugiadas, crianças abandonadas, negros, indígenas, pessoas idosas ou com deficiência, mulheres, enfermos mentais etc, ainda é uma prática generalizada no mundo. Há uma boa parcela da humanidade que é solidária, porém, é preciso que a grande maioria se sensibilize com a pobreza social. É desumano viver no ambiente de caos social, existente nas periferias das grandes cidades. Frente a vulnerabilidade de muitos, é preciso desenvolver o altruísmo e criticar o egoísmo.

Humanizar-se significa dar valor ao seu semelhante e respeitá-lo. Reconhecer a dignidade humana. Se possível, ajudar ao outro necessitado. A vida em coletividade tem de ser valorizada, sem que seja preciso desprezar as nossas diferenças individuais. Buscar as semelhanças que nos une, e minimizar a diversidade e as idiossincrasias que nos separam. Dreorganizacao_escolare fato, o mundo tem melhorado bastante. Nós temos caminhado.  Acontece que como éramos muito piores, mal percebemos o progresso! E andamos devagar. Teremos de apertar nossos passos.

Ainda nos falta muito para avançar, e conquistar o bem-estar e a paz social nos mais diversos territórios do planeta Terra. Teremos de respeitar a natureza e cuidar do meio ambiente. Procurar viver com simplicidade e sem ostentação. Erradicar o excessivo consumo de objetos supérfluos, senão em breve daremos fim ao nosso planeta. A redistribuição da riqueza produzida pelos povos tem de se impor, porque o menor consumo provocará, inevitavelmente, o desemprego em massa. As crianças e jovens merecem viver um futuro promissor, e respirar ar puro e não poluído. Temos de ter compromisso sério com essas criaturas. Delas dependerá o nosso futuro social.

Penso que temos de continuar a sonhar acordados, e caminharmos rumo ao entendimento humano. Sem esmorecer e alimentando as esperanças. Buscando estabelecer a harmonia entre as pessoas e os povos. Isso é possível. Menos porte de armas e mais compreensão e respeito às nossas diferenças individuais. Menos intolerância. Todos temos de admitir que a vida humana é valiosíssima. Alcançar a unidade é quase impossível, mas temos de te-la como utopia, para assim podermos caminhar juntos.

apicultura-abelhasPrecisamos parar de nos matar uns aos outros. Deixar de cometer outras tantas barbaridades que violam os direitos humanos. O mal não pode ser banalizado. Ao deparar-se com uma situação de injustiça, caro(a) leitor(a) manifeste-se imediatamente. Não fique calado. Dê um alarme. Levante a voz. Indigne-se e clame por justiça. Não fique indiferente nunca. Não seja omisso.

Para reflexão: há uma frase dita pelo sábio Imperador romano Marco Aurélio (121-180 d.C.) ,  e que se traduz assim: ” O que é ruim para a colmeia, é ruim para a abelha.”  Pense nisso.

Para finalizar, trago aqui para você caro(a) leitor(a) ouvir, uma famosa canção do cantor-compositor jamaicano, o saudoso Bob Marley. Trata-se da canção intitulada “Get Up Stand Up ” , na bela interpretação do grupo musical do Project Playing for Change. Bastará clicar abaixo:

A tradução do refrão dessa música é:  LEVANTE, RESISTA: LUTE PELOS SEUS DIREITOS!/ LEVANTE, RESISTA: LUTE PELOS SEUS DIREITOS!/ LEVANTE, RESISTA: LUTE PELOS SEUS DIREITOS!/ LEVANTE, RESISTA: NÃO DESISTA DA LUTA!

 

Inês do Amaral Buschel, em 10 de dezembro de 2015.

 

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