PACIÊNCIA E TOLERÂNCIA TEM LIMITES?

 Sim, claro, há limites até para as virtudes humanas. Já tive oportunidade de estudar as virtudes humanas e escolhi essas duas. Trago aqui um conceito simples de cada uma delas:

PACIÊNCIA: a palavra vem do latim patientia e consiste em suportar dores, infortúnios e amolações com resignação. Perseverança. Calma. Coragem para suportar. Tolerância. Constância.

TOLERÂNCIA: Ato ou efeito de tolerar; disposição de admitir, nos outros, modos de pensar, de agir e sentir diferentes dos nossos. Para a filosofia é uma maneira de agir de uma pessoa que suporta sem protesto uma afronta habitual contra os seus direitos, enquanto poderia reprimi-la. Oposição ao fanatismo; atitude ou disposição de espírito pela qual deixamos a cada um a liberdade de exprimir suas opiniões (mesmo quando não as compartilhamos) ou viver segundo modos que não são os nossos.

Pois bem, caro(a) leitor(a), observe que ser paciente não é ser tonto, aceitar tudo. É procurar saber a verdade, estar consciente de um mal e no entanto esperar tempos melhores lutando. É adquirir sabedoria para aprender os seus limites num determinado momento, e saber esperar. É cultivar a esperança de dias melhores.

Ser tolerante, por outro lado, é saber desculpar os erros próprios e alheios. É respeitar a opinião ou conduta alheia; ser condescendente; indulgente; complacente. Mas, JAMAIS aceitar agressões físicas. De uma maneira geral, a tolerância refere-se somente às palavras, às opiniões de alguém. E temos de ter sabedoria para perceber o que poderemos perdoar e esquecer.

Nós, os brasileiros, estamos vivendo num ambiente hostil, numa sociedade cheia de ódio. A política que deveria nos servir para encontrarmos um modo de vida em paz, cuidando do bem comum a todos, ao contrário, nos tem trazido muita amargura e confrontos. A cada dia aumenta muito o número de pessoas desabrigadas, que vivem ao léu em situação de rua.

Isso vem acontecendo desde o ano de 2016, quando por um golpe de Estado – parlamentar-jurídico-midiático –  usurparam do povo brasileiro o voto de mais de 54 milhões de eleitores que haviam elegido a Presidenta da República Dilma Rousseff. Com o golpe destituíram-na do poder e os golpistas assenhorearam-se da Presidência da República. A partir daí instalou-se o caos entre nós. A intolerância e a maldade governamental alastrou-se.

À propósito, aqueles que não conhecem direito esses fatos, recomendo que assistam ao ótimo documentário dirigido pela competente cineasta brasileira, Petra Costa, intitulado ” DEMOCRACIA EM VERTIGEM” , exibido pela Netflix. Foi indicado para o Oscar 2020, mas não saiu-se vencedor. Todavia, ganhou outros prêmios. E vale por uma bela aula de história do Brasil. Para assistir ao trailer oficial, bastará clicar no link abaixo:

 

Eu prezo muito tanto a paciência como a tolerância. Mas, confesso que as perdi com relação ao atual governo federal eleito. É muita maldade, muita desfaçatez com o povo pobre. Não há como tolerar certos atos cometidos, tais como o descaso com o Bolsa Família, os erros no ENEM, a enorme fila no INSS para concessão de aposentadorias etc.

Aliás, tenho lembrado-me muito de uma frase latina escrita pelo grande orador romano Cícero, que diz: ” Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?” e que poderíamos traduzir por  “Até quando,”Jair”, abusarás de nossa paciência?”

Todavia, caro(a) leitor(a) tenho reservado muita paciência com relação ao meu tratamento médico relativo ao combate às metástases de um melanoma, que surgiram no ano de 2016, em meu fígado, peritônio e nos ossos. Não tem sido fácil.

No final do ano passado, 2019, tive algumas más notícias, dentre elas a de que o melhor medicamento moderno para o meu caso, o Nivolumabe (Opdivo), não tem sido eficiente o bastante para mim. Ele é capaz de fazer desaparecer os nódulos e impedir o surgimento de outros. Entretanto, para mim, ele apenas retarda a piora rápida.

Faz quase 3(três) anos que recebo aplicações quinzenais desse medicamento. Nesse período, também, por alguns meses, foi substituído por outros medicamentos tais como Ipilimumabe (Yervoy) e Dacarbasina. Todos eles autorizados pela Anvisa. Mas nenhum deles, aplicados juntos ou em separado, foram eficientes.

Não morri, mas o quadro é grave. Aparentemente estou bem, e as pessoas mal acreditam que eu não esteja saudável. Afinal, há tanto tempo estou à beira da morte…e não morro…rsrs

No dia 23 de dezembro p.passado, submeti-me a uma biópsia no fígado, indicada pelo oncologista, para remessa a um laboratório estrangeiro que consegue identificar geneticamente a mutação ocorrida em minhas células malignas. Decidi pagar por essa tentativa de uma nova possibilidade medicamentosa. O resultado já foi remetido para o médico, mas tenho consulta marcada apenas para 20 de fevereiro. Haja paciência.

No próximo dia 12, farei um novo exame PET Scan para constatar como estão os nódulos em meu corpo. É sempre um momento de angústia. Nada a fazer exceto ter paciência.

Confesso que há 3 (três anos) minha vida tem se resumido no meu tratamento médico. Cuido, pessoalmente, de minha agenda de consultas e exames. Claro, vez ou outra vou ao cinema ou assisto filmes em casa mesmo. Encontro amigos(as) e familiares, converso sempre com todos(as), seja por telefone ou whatsapp. Recebo visitas, faço compras domésticas etc. E mais que tudo beijo e abraço muito meus dois netos Violeta e Milton, que me trazem muita alegria.

E também encontrei paz na solidão. Faço meditação. Passei a gostar do silêncio. Ademais, os efeitos colaterais desagradáveis provocados pelos medicamentos que tomo, de certa forma, me convidam a ficar quieta em casa. São eles: algumas dores, coceiras na pele, boca seca, intestino preso, fadiga constante, anemia etc.

Perdi, totalmente, o interesse em viajar. Primeiro por insegurança, porque de vez em quando passo mal e tenho de ser internada no hospital. Segundo, porque sempre tive medo de viajar de avião, mas enfrentava-o. Viajei bastante na minha vida. Por último, frente a esses problemas, resolvi contribuir com o meio ambiente, uma vez que o combustível usado nos vôos aumenta os poluentes e piora nosso ar. Em homenagem à jovem sueca Greta, não viajo mais de avião. E está bem assim.

É isso o que queria contar-lhes, caros(as) leitores(as). Por vezes, em alguns dias, sinto-me desalentada. Porém, logo retomo o controle e volto a cultivar a esperança. Ouço boa música para animar-me.

Finalizando, recomendo a você caro(a) leitor(a), que ouça a maravilhosa canção de autoria de Paulinho da Viola intitulada “Dança da Solidão” . Escolhi uma gravação especial na voz dele e da Marisa Monte. Bastará clicar no link:

 

Inês do Amaral Buschel, em 10 de fevereiro de 2020.

LULA INOCENTE!