ESTADO OPRESSOR

Se a vida é frágil e, dizem alguns, é apenas um sopro, cuide bem da sua e da dos outros também. No artigo 5º da Constituição Federal do Brasil assegura-se, a cada um de nós, a inviolabilidade do direito à vida.

Entretanto, não foi isso que os policiais militares pertencentes ao 16º Batalhão da Polícia Militar Metropolitana, na região da zona sul da cidade, garantiram aos jovens que se divertiam num baile funk (pancadão) realizado na madrugada de domingo, dia 1 de dezembro, p.passado, nas ruas da favela de Paraisópolis. Os garotos foram encurralados numa viela sem saída pelos próprios policiais. Uma afronta aos direitos humanos.

Nove foram os mortos, vítimas de pisoteamento, sufocamento, sabe-se lá a verdade. Um horror!Ao que se sabe não eram moradores do local. O fato é que houve crime de homicídio. Há muitas incongruências nas versões. Resta-nos investigar. A responsabilidade maior, entretanto, é de nosso Governador que, ao fim e ao cabo, é a quem se subordinam os policiais militares conforme regras constitucionais (artigo 144 da CF, § 6º ).

Apesar das várias versões dos fatos, parece evidente que as mortes foram provocadas pela ação violenta dos policiais. Todos sabemos que é  muito comum o uso da violência policial nas abordagens que fazem frente aos moradores dos bairros periféricos. Isso está erradíssimo. Dá-se a oportunidade para a explosão do sadismo de certos profissionais. E para a prática de racismo dentro de nosso regime de apartheid social enrustido, de pobres negros e brancos.

Se você caro(a) leitor(a) não teve oportunidade de ler, recomendo que leia o premiado livro-reportagem escrito pelos nosso jornalista Caco Barcellos e publicado pela Editora Globo no ano de 1992. Há várias edições posteriores. Lastimavelmente, vemos que a história de violência policial se repete.

Mal posso imaginar a extensão da dor e da tragédia familiar que essas mortes causaram. Mas, desejo registrar aqui, ao menos, meus sentimentos e irrestrita solidariedade aos amigos(as) e familiares dos jovens: Gustavo Cruz Xavier, 14 anos; Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 anos; Marcos Paulo Oliveira Santos, 16 anos; Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos; Luara Victoria Oliveira, 18 anos; Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos; Eduardo da Silva, 21 anos; Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos e Mateus dos Santos Costa, de 23 anos. Que sejam lembrados para sempre! E que suas mortes provoquem, definitivamente,  o fim às abordagens policiais violentas.

Não quero estender-me sobre o tema da segurança pública que é de altíssima relevância. Embora nunca tenha sido especialista do assunto,  já me atrevi a escrever dois textos sobre isso, e que estão publicados neste blog. Todos os cidadãos(ãs) deveriam se debruçar sobre esse tema, ler o material a que tiverem acesso, estudar e discuti-lo em grupos. Somos nós, o povo brasileiro, que devemos inteirar-nos disso. Deixo aqui o link dos posts deste blog, para aqueles que desejarem saber um pouco mais:

https://blogdaines.wordpress.com/2010/06/03/controle-externo-da-atividade-policial/

https://blogdaines.wordpress.com/2014/05/28/a-seguranca-publica-no-brasil/

E, para completar essas informações, trago aqui a importante e riquíssima entrevista da professora e cientista social, Jaqueline Muniz, do Rio de Janeiro:

 

São dramáticas também as cenas de violência policial que vêm ocorrendo em vários países sul-americanos, tais como no Chile, na Bolívia, na Colômbia, por exemplo. Dá para concluir que há um padrão nesse comportamento policial. Deve haver um direcionamento único e político nisso tudo. Sempre contra a população mais vulnerável. Vergonhoso e revoltante. Até quando abusarão do uso da força do Estado?

Para finalizar a narrativa deste triste episódio de violência policial na cidade de São Paulo, gostaria de recomendar a você caro(a) leitor(a) a ouvir uma belíssima canção latina, de autoria do cantor-compositor argentino Léon Gieco, composta no ano de 1978, intitulada ” Eu só peço a Deus “. Gosto da gravação nas vozes da dupla de saudosas cantoras, a brasileira Beth Carvalho e a argentina Mercedes Sosa. A versão brasileira é de Raul Ellwanger. Bastará dar um clique no link abaixo:

 

Inês do Amaral Buschel, em 7 de dezembro de 2019.

LULA É INOCENTE!!