A VIDA É MAIOR

Volto a escrever mas ainda muito triste. Triste de não ter jeito, como escreveu nosso poeta Manuel Bandeira em seu poema “Vou-me embora pra Pasárgada” . Porém não tenho vontade de me matar e nem de ir embora pra qualquer lugar. Meu lugar é aqui onde estou.

http://www.releituras.com/mbandeira_pasargada.asp

Entretanto, sinto uma tristeza danada ao pensar no assassinato, por fuzilamento, de uma linda menina de oito aninhos, lá na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, no dia 20 de setembro p.passado. Eram cerca de 21 horas e ela voltava para casa, ao lado da mãe, sentada num banco de uma Kombi. Foi alvejada pelas costas. Ao que tudo indica o tiro partiu de um fuzil de um agente policial. Resta investigar.

Embora seja muito pouco, quero aqui registrar a minha irrestrita solidariedade aos pais, avós, demais parentes, amigos e vizinhos de Ágatha Félix. E, em nome dessa dor, solidarizo-me mais uma vez com as crianças, jovens e adultos que morreram em razão da violência.

VIDAS IMPORTAM. PAREM DE NOS MATAR. Essa deve ser nossa bandeira sejamos nós negros, pardos, indígenas, brancos e de quaisquer gênero. Somos gente. Todos nós somos seres humanos. Será preciso gritar isso todos os dias, diuturnamente.

Na semana passada, quando estava aguardando a chamada para fazer um exame de sangue, chamou-me a atenção a maldita TV ligada à frente de pacientes, com noticiário de crimes às 07 horas da manhã! Suspirei. Ao meu lado estava uma senhora como eu. Ela, dirigindo-se a mim disse: as pessoas estão muito violentas! Eu concordei. Daí ela emendou: Isso é falta de Deus no coração. Eu acrescentei: e falta do sentimento do justo!

É o que penso. Não adianta nada ter Deus no coração e nenhum sentimento do justo, de senso de justiça.

Poucos dias antes dessa tragédia, fui ao cinema acompanhada de minha irmã, assistir ao filme brasileiro “BACURAU“, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Ficamos paralisadas diante da barbárie na tela. Eu sinto ojeriza por atos de violência, mesmo que seja no cinema. Todavia, melhor refletindo, de fato nós brasileiros de todas as classes sociais, vivemos numa barbárie. Nosso processo civilizatório está inacabado. Afinal, convenci-me de que vale a pena assistir a esse filme que nos serve de espelho. É um filme importante. A arte imita a vida. Veja o trailer dele clicando abaixo:

Aliás, ficando nesse assunto, de nossas condições sociais, nestes dias li um bom livro intitulado “Desigualdade & caminhos para uma sociedade mais justa “, escrito pelo brasileiro Eduardo Moreira, 2 edição, 2019, editora Civilização Brasileira. Recomendo a sua leitura. Aprendi bastante.

E, quanto às fake news, assisti a um documentário recente e muito importante intitulado “Privacidade Hackeada“, dirigido por Karim Amer e Jehane Noujaim. Se você, caro(a) leitor(a) interage nas redes sociais, não perca esse documentário.

Por outro lado, também estou muito triste porque o exame PET Scan que fiz no último dia 18 de setembro, trouxe-me más notícias. Os nódulos ósseos e os do fígado aumentaram. Continuarei com o tratamento imunoterápico, mas terei de submeter-me também à radioterapia no lado direito do quadril. E farei nova embolização no fígado, agendada para o dia 17 de outubro. Paciência. Muita paciência. E vamos em frente.

Hoje lembrei-me de uma ótimo samba paulista, de autoria do compositor Eduardo Gudin em parceria de Roberto Riberti, intitulado “Velho ateu “. Caro leitor (a) leitor(a) recomendo que ouça a gravação na bela interpretação de Dona Inah:

Inês do Amaral Buschel, em 29 de setembro de 2019.

LULA LIVRE! LULA É INOCENTE! LIBERTEM LULA JÁ!