É PROIBIDO LAMENTAR-SE

Olá, caro(a) leitor(a), venho lhe trazer notícias e dicas de leitura. Logo no início do mês de maio p.passado eu recebi outra má notícia a respeito das minhas metástases de melanoma. Fiquei paralisada diante do resultado pífio do exame PET Scan que fiz no final do mês de abril. Após ter feito um procedimento imunoterápico avançado desde o mês de fevereiro até abril de 2019, quando recebi, concomitantemente, dois medicamentos de ponta – Opdivo e Yervoy – tive a expectativa de ver os nódulos malignos no fígado desaparecerem. Qual o quê! Não sumiram. Alguns diminuíram de tamanho, mas um deles aumentou deveras.

Fiquei bem triste, mas não me lamentei porque tive essa oportunidade que poucos pacientes oncológicos têm. E restou-me a esperança de que seja possível um bom efeito ao longo do tempo. Oxalá. No momento reiniciei o tratamento imunoterápico com aplicações de apenas Opdivo a cada quinze dias.

A frase que dá título a este post eu copiei do Papa Francisco. Tenho por hábito assistir às aulas gratuitas do Professor  Faustino Teixeira que, às quartas-feiras, está no canal Paz e Bem no You Tube. No dia 29 de maio ele falou sobre o livro ” A solidão de Francisco “, de autoria de Marco Politi. Ao final da aula ele menciona a plaquinha que o Papa Francisco mantém à frente do gabinete onde recebe as pessoas no Vaticano. Achei graça nisso, por isso a repito aqui. Se você, caro(a) leitor(a) quiser assistir a essa aula, bastará clicar no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=OMlPc285_ss

Há alguns dias, minha irmã Fátima, buscando a razão dessa frase no Google, descobriu que o Papa Francisco se inspirou no título do livro escrito pelo psicoterapeuta italiano Salvo Noè, em cuja reedição o prefácio é do próprio Francisco.

Bem, por esses meus problemas de saúde e também pela tristeza que sinto ao ver a destruição de nossa soberania nacional fiquei, literalmente, sem palavras. Nem sequer conseguia escrever.

Sem vontade de  sair de casa, permaneci no meu monastério…rsrs, em silêncio, lendo livros, revistas e assistindo boas entrevistas no You Tube. Também fiquei picotando papéis velhos que se acumularam em minha biblioteca há anos. Não fui ao cinema. Porém, já estou recobrando as forças e irei assistir filmes no cinema como sempre gostei de fazer.

Quero aqui recomendar a você, caro(a) leitor) a leitura do livro “Como as Democracias Morrem“, (How Democracies Die) de autoria dos professores estadunidenses Steven Levistsky & Daniel Ziblatt, publicado pela editora Zahar, RJ, no ano de 2018. Eu li e aprendi muitíssimo. Numa democracia liberal a tolerância mútua entre partidos rivais é imprescindível e, se o ódio prevalecer entre adversários a democracia perde. Quando o respeito às regras do jogo democrático são ludibriadas ou visivelmente desrespeitadas, a democracia morre.

Por outro lado, a prática do “lawfare ” que, em resumo, significa empreender uma guerra jurídica que consiste no uso do Poder Judiciário como instrumento para inventar uma nova interpretação do sentido da letra da lei, objetivando com essa ação prejudicar o adversário político – como vem ocorrendo em vários países do mundo – quem perde é o regime democrático.

Outro livro que estou terminando de ler e recomendo a quem se interessa pelo importante tema da educação, intitula-se “Lições Finlandesas 2.0 ” (Finnish Lessons 2.0: What can the world learn from educational change in Finland?) de autoria do professor e pesquisador finlandês, Pasi Sahlberg, publicado no Brasil no ano de 2018, pela editora SESI-SP. Nossa 1ª edição é tradução da 2ª edição original atualizada.

Estou lendo esse livro por indicação do cientista brasileiro Miguel Nicolelis que, em seu livro “Made in Macaíba “, pág.185, lhe faz a referência. É muito interessante. A obra descreve como a Finlândia, desde 1970, foi se afirmando como um país que leva à sério o sistema educacional.

Ali, no tratamento ao estudante, é sempre levado em conta os princípios da igualdade e da equidade. A educação é um serviço público que serve a todos, independentemente de classe social. A escola básica é de nove anos de duração e é conhecida pelo nome de peruskoulu. Esse livro é riquíssimo em informações históricas e bem atuais. Na terra da empresa Nokia – lembram-se dela? – com a educação pública não se brinca. Ela é prioridade.

Temos de tomar como exemplo os finlandeses e lutar, cotidianamente, pela boa educação pública. Todos juntos. O povo brasileiro na sua inteireza, ou seja, composto por variadas classes sociais.

E quero dizer também, que sou contra a privatização/capitalização da previdência que hoje é social, solidária, nos termos dos artigos 194 e 201 de nossa Constituição Federal. Oxalá a greve geral programada para o próximo dia 14 de junho contra essa injustiça seja exitosa.

Finalizando, sugiro a você caro(a) leitor(a) que ouça a linda canção composta por nosso músico Dani Black, intitulada ” Trono do estudar “. Ela foi gravada por grandes vozes de nossa música popular, entre eles nosso Prêmio Camões – Chico Buarque. A música surgiu há alguns anos – 2015 – quando entre nós, os brasileiros, houve grande movimento estudantil contra o fechamento de salas de aula nas escolas públicas estaduais. Infelizmente estamos, novamente, vivendo um ataque do governo federal ao ensino público. Se desejar ouvi-la, bastará clicar no link abaixo:

 

 

Inês do Amaral Büschel, em 09 de junho de 2019.

 LULA LIVRE! LULA É INOCENTE! LIBERTEM O LULA!