PENSANDO NA VIDA E BUSCANDO A PAZ

Desde muito jovem almejava a paz interior, cotidiana e a paz social. Persigo-a desde então. Um dia conheci a vida do indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) e aprendi com ele a não-violência, a desobediência civil pacífica – mas, não passiva. Esse aprendizado levou-me a ler o norte-americano Henry D. Thoreau (1817-1862), com o qual aprendi mais um pouco da desobediência civil. Daí fui levada a ler o francês Voltaire, François-Marie Arouet (1694-1778) e aprendi sobre a tolerância.

Assim, passo a passo, e sempre buscando saber mais sobre a paz – sou da geração hippie do Paz e Amor, Faça amor, não faça guerra – , conheci e estudei um pouco a vida do nepalês Buda, Sidarta Gautama (Século VI a.C), e acabei chegando ao sul-africano Nelson Mandela (1918-2013) que, ao longo de sua vida, inspirando-se nesses autores acima citados, tornou-se um pacifista. Eu sigo os ensinamentos desses mestres pacifistas, independentemente de suas crenças religiosas.

Na minha caminhada, também aprendi bastante sobre as religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo – e também sobre o hinduísmo, o taoismo, a umbanda e o candomblé. Então, caro(a) leitor(a), você me perguntará se encontrei a paz. Sim, eu a conheci. Trouxe-me a sensação de harmonia, plenitude e tranquilidade. Porém, foram só momentos de paz. Efêmeros períodos em minha vida. Viver em paz numa grande metrópole como a cidade de São Paulo, é bastante difícil. Mas, não impossível.

Houve um tempo em minha vida no qual eu, para fazer graça, assinava meu nome e em seguida colocava “parenta distante de Gandhi “. Fiz muita gente rir.

Não perco o bom humor e nem a alegria de viver nessa busca.  Nem as metástases do melanoma, que há quase três anos me aporrinham a vida, me fazem desistir da busca pela paz e alegria. Os que me acompanham sabem que gosto de escrever neste blog, embora não o faça com a regularidade que deveria. É que nem sempre tenho inspiração e disposição. Quando tenho uma falta-me a outra. Faço quimioterapia a cada vinte e um dias e esse tratamento sempre me causa fraqueza física e psíquica, durante alguns dias.

Neste momento, acabo de lembrar-me de um “causo” engraçado. Meu falecido companheiro Vicente gostava de pescar e caçar rãs para comer. Nada politicamente correto, mas vá lá. Um dia, lá no interior de São Paulo, na zona rural da cidade de Capão Bonito, ele e meu cunhado Paulo, saíram com uns caboclos moradores do local, para caçar rãs à noitinha. Quando cansavam, um caboclo lhes dizia: não pode desistir, tem que ficar na porfia

Você caro(a) leitor(a) sabe o que significa “porfia”? Eu aprendi naquele momento: é perseverança, teimosia, esforço. Veja, estou na porfia pela paz. É isso. Vivendo e aprendendo. Nos momentos em que leio, aprendo ou escrevo sinto a paz dentro de mim.

Por falar em aporrinhar, vou lhe contar outro “causo”. Este nada engraçado. Aliás, bem grosseiro. Há pouco tempo eu recebi um comentário bem desagradável, de uma assinante deste blog, que me pedia para descadastra-la. Dizia que gostava de ler meus escritos, até o instante em que passei a declarar “Lula livre!”, o que foi demais para ela. Identificava-se como advogada e estava decepcionada porque, certamente, pressupunha ela erroneamente, eu não teria lido a sentença na qual o Lula fora condenado por corrupção.

Oh! Céus! Oh! Vida! Onde andará a paz pergunto eu? Penso que os meus leitores sabem, de antemão, que sou bacharel em Direito pela USP, pratiquei a advocacia por vários anos e depois, prestei concurso público e fui aprovada. Exerci, então, as funções de Promotora de Justiça no Ministério Público do estado de São Paulo. Sei o que é Direito e Justiça, ora, ora.

E, desde minha juventude, aprendi o que é política na prática durante os anos em que freqüentei a faculdade de Direito. Sei quem são meus adversários e, talvez, inimigos. Vivíamos, à época no Brasil, sob a violência, o arbítrio e a censura imposta pela ditadura empresarial-militar. Aliás, diga-se de passagem, as nossas Forças Armadas jamais fizeram autocrítica e pediram desculpas a nação, pela dor que nos causaram durante 21 anos.

Então, como alguém que me lê pode imaginar que eu não teria lido o inteiro teor da sentença que condenou o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, para poder afirmar que ela é injusta, contraditória e que ali não há provas?

E que a confirmação dessa sentença pelo trio de Desembargadores do TRF-4 (8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre), é um jogo de cartas marcadas com pressa inusitada e que, inclusive, aumentaram a pena de Lula, propositadamente, para evitar a sua prescrição? O mundo já sabe disso, não apenas eu.

Por favor, mais respeito pela opinião alheia! Pode discordar, mas com tolerância à opinião divergente. Custa? Bem, nessa eu aprendi como se faz para descadastrar assinante deste blog que queira sair. Foi um trabalhão, mas consegui. Ufa!! Tenho 71 anos de idade! Vivendo e aprendendo. Por isso, caro (a) leitor(a), caso você deseje sair é só me pedir gentilmente, táoquei?

Eu li vários livros recentes que discorrem sobre as graves questões políticas-jurídicas que vivemos desde o ano de 2015. Dentre eles, sugiro a você caro(a) leitor(a), a leitura de dois: (a) livro “Comentários a uma Sentença Anunciada – O processo Lula “, cujos organizadores são os juristas brasileiros Carol Proner, Gisele Cittadino, Gisele Ricobom e João Ricardo Dornelles. Essa obra está a sua disposição, gratuitamente, pela internet. Bastará clicar no link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/1aYXCnakonOfa7VVZboQmyk5vpT8ujyXt/view

E outro livro interessante para se ler sobre o mesmo assunto é (b) “FALÁCIAS DE MORO – Análise Lógica da Sentença Condenatória de Luiz Inácio Lula da Silva “, de autoria do filósofo brasileiro Euclides Mance, cujo teor encontra-se a sua disposição, gratuitamente, bastando clicar no link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/1BsSkXPLZltZBe3dnNsmMJZyoanfxPwy7/view

Voltando à paz, como você vê, a busca é de cada um de nós e incessante. Noite e dia. Em qualquer lugar do mundo, a todo momento. Aqui, em nosso território brasileiro, desde sempre muitas autoridades governamentais trataram a maioria do povo com crueldade e descaso. O apoio da classe dominante e suas armas, sempre ajudou a esparramar muito ódio em meio população. As poucas famílias que dominam os meios de comunicação eletrônica de massa – som e imagem – incitam o medo e a guerra de todos contra todos. Um inferno!

Neste momento histórico, por exemplo, o governo federal recém eleito comete atos inacreditáveis! Acaba de emitir um decreto liberando a posse de quatro armas de fogo por pessoa, contrariando as estatísticas que apontam ser a posse de arma um motivo a mais para o aumento da criminalidade. Bem, mas ele precisava honrar um compromisso que assumira, durante sua campanha eleitoral, com a indústria bélica. O povo que se lasque e se mate!

Detesto arma de fogo. Por razão de ofício, quando exercia as funções de Promotora de Justiça, por prerrogativa do cargo tive licença para porte de arma de fogo e, no entanto, jamais pensei sequer em adquirir uma arma. Respiro e luto, sem armas, pela democracia real com igualdade social e bem-estar de todos, pelos direitos humanos, pela Justiça e pela compaixão e solidariedade entre nós. Enfim, que a vigente Constituição da República seja cumprida a rigor.

O único “Revolver ” de que gostei na vida, foi o lindo disco lançado pelos Beatles no ano de 1966, com esse nome.

Ao lado da leitura da vida e seus escritos dos mestres pacifistas, também aprendi no meio caminho com as pessoas maravilhosas que conheci, familiares, amigos(as), professores(as), filósofos, religiosos, profissionais da área de saúde física e mental, artistas, e tantos outros,  a ser mais tolerante e ter autocontrole sobre minhas emoções destrutivas, tais como a raiva/ira/fúria, medo/fobia, ansiedade, ilusão/ignorância. E a ter senso de ridículo.

Como qualquer pessoa humana eu também tenho preconceitos, porém exercito, humildemente, a arte de autocontrole para combatê-los no dia a dia. Tento praticar a meditação com a mente quieta, espinha ereta e coração tranqüilo! E sigo em frente na busca cotidiana da paz interior e da paz social!

Para finalizar, trago aqui para você caro(a) leitor(a) ouvir, a linda canção brasileira de autoria do grande Gilberto Gil em parceria com João Donato, na própria voz de Gil, ” A Paz “. Bastará clicar no link abaixo:

 

 

Inês do Amaral Büschel, 22 de janeiro de 2019.

LULA LIVRE JÁ !!!

 

 

 

 

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