DEZ TEMAS E SUAS RESPECTIVAS TRILHAS SONORAS

Faz tempo que não escrevo neste blog. É que não consegui ainda recuperar-me por inteiro de duas grandes frustrações que sofri desde o mês de março de 2016. Fiquei sem palavras, literalmente.

Primeiro foram os acontecimentos políticos no Brasil, que eram inimagináveis para mim.  Não só o golpe de estado parlamentar-jurídico-midiático, como também o posicionamento de aceitação desses fatos por parte da maioria dos colegas do Ministério Público brasileiro, com as honrosas exceções de praxe. Fiquei tão pasma diante dessas atitudes que, por isso, acabei desfiliando-me de uma organização democrática que ajudei a fundar nos idos de 1991. Sofri uma enorme frustração nesse período histórico.

Eu acreditava no governo das leis. Retrocedemos no tempo e o governo agora é dos homens. A pobreza e o desemprego cresceram. Desiludi-me do Direito. Está difícil reanimar-me.

Segundo, nesse mesmo ano de 2016, lá pelo mês de maio, nos exames médicos que faço regularmente para controle do melanoma ocular, apareceram as primeiras metástases no fígado. O resto quem segue este blog já sabe. Até hoje vivo na corda bamba. No fio da navalha. Neste ano de 2018, tive de mudar de protocolo médico porque o remédio Nivolumabe/Opdivo deixou de fazer efeito no meu corpo. Continuo o tratamento imunoterápico, mas agora com o remédio Ipilimumabe. E vamos respirando fundo e cultivando a esperança.

Frente a esses fatos tristes da vida, resolvi recordar  – recordar é viver! – dos bons momentos vividos nestes últimos dezoito anos.  É sobre isso que escrevo agora para você, caro(a) leitor(a). Espero que goste de ler este post.

Como bem sabem aqueles que me conhecem, adoro ouvir música. Não sei tocar instrumento musical algum. Conheço um pouco de música clássica, mas o que gosto mesmo é de ouvir musica popular seja brasileira ou estrangeira. Pode ser instrumental ou cantada. As canções letradas nos transmitem idéias, poesias, contam-nos histórias.

No ano de 2000 defendi uma dissertação de mestrado na Universidade Anhembi Morumbi-SP, na qual minha hipótese era de que os meios de comunicação eletrônica de massa, sobretudo emissoras de rádio e televisão, seriam essenciais para contribuir no ensino de noções de cidadania para toda a população, sejam pessoas alfabetizadas ou não. Com uma programação diária e em poucos minutos, ensinariam as regras contidas em nossa Constituição Federal, notadamente seus artigos iniciais, do 1º ao 17. Caro(a) leitor(a) se desejar saber mais sobre isso, clique no link abaixo:

https://blogdaines.wordpress.com/minha-dissertacao-de-mestrado-sobre-educacao-e-comunicacao/

 

Depois de terminada e aprovada a dissertação, pensei em elaborar uma trilha sonora com canções populares, que pudessem constituir-se num guia para o plano de aulas de professores/educadores do ensino formal ou não. Seria uma motivação para o alunado cultivar o gosto pelo conhecimento de cultura brasileira, sobre as peculiaridades da linguagem oral, a comunicação de idéias e as principais regras do Direito formal. Esse projeto nem era tão original assim, pois aprendi um pouco da língua e cultura inglesa por intermédio de oitiva de músicas. Isso é muito comum.

Começando pela regra básica contida no artigo 3º da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.”, fui pesquisando músicas na coleção de CDs e LPs que tenho em casa. Muitas(os) amigas (os) e familiares contribuíram com sugestões. Claro que a escolha das canções reflete meu gosto musical e uma determinada época histórica. E, com o passar do tempo, acrescentei uma ou outra.

Após, comprei uma caixa de CDs virgens e com capacidade de 80 minutos de gravação. A compilação é aleatória, ou seja sem ordem rígida de seqüência. Fiz a trilha sonora por intermédio do computador e somou 60:10 minutos, reunindo vinte canções. Aos poucos copiei CDs para presentear amigos próximos. É esta a lista de reprodução:

IGNORÃNCIA DA LEI

  1. Hino Nacional Brasileiro – Projeto Guri
  2. Padre Miguel,olhai por nós – Mocidade Alegre (1995)
  3. O Rancho da Goiabada – Aldir Blanc e João Bosco
  4. Samba do Crioulo Doido – Sergio Porto / Demônios da Garoa
  5. Querelas do Brasil – Aldir Blanc e Maurício Tapajós / Elis
  6. Caluda, Tamborins! – Mário Lago / Dusek
  7. A,E,I,O,U – Noel Rosa e Lamartine / Marilia Batista
  8. ABC do sertão – Zé Dantas e Luiz Gonzaga
  9. Procotólo – Carlinhos Vergueiro
  10. Positivismo – Noel Rosa e Orestes Barbosa / João Nogueira
  11. Pai Francisco – Villa Lobos / Funarte
  12. Delegado Chico Palha – Tio Hélio e Nilton Campolino / Zeca
  13. Hino de Duran – Chico Buarque
  14. Despejo na Favela – Adoniran / Beth Carvalho
  15. Juca – Chico Buarque
  16. Comprimido – Paulinho da Viola
  17. Justiça Gratuita – Nei Lopes
  18. Incompatibilidade de Gênios – Aldir Blanc e João Bosco
  19. Conflito – Barbeirinho e Marcos Diniz / Zeca
  20. Direito é Direito – Unidos de Vila Isabel (1989)

 

Nessa época, início dos anos 2000 – eu também participava de um projeto pró-saúde mental – denominado “Projeto Fênix – Associação Nacional Pró-Saúde Mental ”. Então, inspirada na mesma ideia de compilar uma trilha sonora que pudesse levar alegria e também poesia para nossas reuniões, pesquisei e fiz a seguinte trilha, com duração de 79 minutos. São vinte e três músicas:

LOUCURAS

  1. Ciranda da Bailarina/ Edu Lobo e Chico Buarque/ coro infantil
  2. Balada do Louco/ Arnaldo Baptista e Rita Lee/ Ney Matogrosso
  3. Como uma onda/ Lulu Santos e Nelson Motta/ Lulu
  4. Juízo Final/ Nelson Cavaquinho e Elcio Soares/ Clara Nunes
  5. Alô, Alô, marciano/ Rita Lee e Roberto de Carvalho/ Elis Regina
  6. Super-homem-A canção/ Gilberto Gil
  7. Ser estranho/ Branco Mello e Tony Bellotto/ Titãs
  8. Preciso me encontrar/ Candeia/ Marisa Monte
  9. Maluco Beleza/ Raul Seixas e Cláudio Roberto/ Raul
  10. Traduzir/ Se / Ferreira Gullar e R.Fagner/ Chico Buarque e Fagner
  11. Balada para um loco/ Piazzola e Ferrer/ Amelita Baltar
  12. Todo Errado/ Jorge Mautner/ Caetano Veloso e Mautner
  13. Só louco/ Dorival Caymi/ Gal Costa
  14. Gracias a la vida/ Violeta Parra/ Elis Regina
  15. Louco (Ela é seu mundo) W.Batista e H. de Almeida/ J. Nogueira
  16. Vivo isolado do mundo/ Alcides Dias Lopes/ Zeca Pagodinho
  17. Eu não sou louco/ Lupicínio Rodrigues/ Isaura Garcia
  18. Timoneiro/ Hermínio B. de Carvalho/ Paulinho da Viola
  19. Que loucura/ Sérgio Sampaio/ Luiz Melodia
  20. O que é o que é/ Gonzaguinha
  21. Se eu quiser falar com Deus/ Gilberto Gil
  22. É preciso saber viver/ Roberto Carlos/ Titãs
  23. Doidão/ Jorge Mautner

 

Bem, daí tomei gosto e tornou-se um prazer e uma mania pessoal compilar trilhas sonoras temáticas …rsrs.

Durante quase uma década, de 1995 a 2004, fui professora-voluntária de um projeto feminista exitoso e que perdura até hoje, o Curso de Promotoras Legais Populares. A iniciativa da criação do projeto foi da Ong  “União de Mulheres de São Paulo”.  Ao final de cada curso sempre se realizava uma festa de formatura das lideranças feministas. Então, criei uma trilha sonora para contribuir com essas festas. Foram vinte e três canções, com duração total de 79 minutos. Para saber mais, caro(a) leitor(a) bastará clicar no link abaixo:

http://promotoraslegaispopulares.org.br/

MULHERES

  1. Feminina/ Joyce
  2. Mulher Brasileira/ Benito Di Paula
  3. Maria, Maria/ Milton Nascimento e Fernando Brant
  4. Woman/ John Lennon
  5. Mama África/ Chico César
  6. Mulheres/ Martinho da Vila e Toninho Geraes
  7. Uma nova mulher/ Paulo Bebetio/ Simone
  8. Mulheres do Brasil/ Joyce/ M.Bethania
  9. Woman is the nigger of the World/ John Lennon e Yoko
  10. Maria/ Ary Barroso/Luis Cláudio
  11. Cor de Rosa Choque/ Rita Lee
  12. Super-homem-a canção/ Gilberto Gil
  13. Le Droit des Femmes/ Charles Aznavour
  14. Mulher/ Custódio Mesquita/ Ney Matogrosso
  15. O xote das meninas/ Luiz Gonzaga/ Chico Buarque
  16. Maria/ Sidney Miller/ Ana Martins
  17. Las muchachas de Copacabana/ Chico Buarque/ Elba Ramalho
  18. Mulheres de Atenas/ Chico Buarque/ Ney Matogrosso
  19. Maria Moita/ Carlos Lyra/ Thelma
  20. Lata d’ água/ Jota Jr. e L.Antonio/Marlene
  21. Dono de Ninguém/ Carioca/Ademilde Fonseca
  22. Homem de saia/Marcelo Reis e Eneas de Castro/Jussara,Rita e Teresa Cristina
  23. Feminina/ Joyce/ Quarteto em Cy

 

Nessa caminhada, até o ano de 2010, compilei nove trilhas sonoras. No ano de 2013 fiz mais uma, a décima e última. Outro dia continuarei a contar-lhe essa história toda. Mas não quero cansá-lo(a) agora.

Para finalizar, então, sugiro-lhe ouvir a música brasileira “ABC do sertão”, uma bela composição de Zé Dantas ( 1921-1962) e Luiz Gonzaga (1912-1989). A gravação é dele, o rei do baião, nosso saudoso Luiz Gonzaga. Bastará clicar:

 

 

 

Inês do Amaral Büschel, em 13 de março de 2018.

 

 

 

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