IMPERMANÊNCIA E DESAPEGO: difícil exercício

Para alcançarmos a sabedoria será necessário compreendermos também esses ensinamentos milenares do budismo. São exercícios mentais de humildade. Conheço um pouco das regras de algumas doutrinas religiosas, embora não seja borboletas2freqüentadora de quaisquer templos ou igrejas.

Há algumas dessas regras que são fáceis de aceitar e cumprir, mas há outras – como a da impermanência (transitoriedade de tudo) e do necessário desapego (o apego trará mal-estar) – do budismo, que exigem bastante de nossa paciência e humildade.

A cada barco tombado nos mares e oceanos, contendo centenas de refugiados de guerra dentro dele – mulheres e homens, adultos, velhos, jovens e crianças -, penso nos sonhos de bem-aventurança que buscavam esses seres humanos, que fugiam da violência em sua própria terra natal. Abriram mão do que possuíam demonstrando desapego e, no entanto, muitos morreram afogados nos mares. Um horror.

Ao lado dessa tragédia há tantas outras, tais como a miséria, a fome, a enfermidade física e mental sem assistência médica, o abandono de crianças e velhos etc. Há milhões de pessoas escravizadas. Clique no link abaixo para conferir:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-05/escravidao-moderna-atinge-458-milhoes-de-pessoas-no-mundo

riquezaRefletindo sobre esses fatos tão tristes e vergonhosos, e que ainda ocorrem no Século 21, penso nas pessoas bem nascidas, ricas e bem educadas. Um contraste injusto. Essa minoria que vive muito bem, via de regra, é cheia de certezas sobre tudo na vida. Claro, são seres humanos que também sonham, adoecem, são felizes ou infelizes.

Porém, a maioria dessas pessoas abastadas nem de longe pensa que um dia poderá perder tudo. A própria vida, inclusive. Algumas, talvez até se considerem imortais. Muitas, nem sequer ouviram falar em impermanência e desapego. Acumulam riquezas e desejam obter coisas cada vez mais e mais. Dão asas à ganância.

As contradições do modo de vida no mundo moderno estão escancaradas. Todos sabemos que, para viver uma longa vida e com saúde, será necessário ter dinheiro suficiente para adquirir bons alimentos, boa moradia, acesso á educação de qualidade e bons serviços e ações de saúde. Essas são as condições mínimas. Numa sociedade de massas, todavia, mesmo que vigore um regime democrático formal, apenas uma minoria terá acesso a tudo isso.

Já não há emprego e/ou trabalho para todos. As pessoas já não conseguem obter meios para o próprio sustento. O avanço da tecnologia vem usurpando os postos de trabalho de milhões de trabalhadores pelo mundo todo.carpe-diem-by-nanoo-g

Penso nisso tudo e, caro(o) leitor(a), penso também em minha vida pessoal. Há dez anos tomei consciência de que sou um barco à deriva, num mar imenso. Sofro dos males típicos do envelhecimento: problemas cardíacos e câncer.

Tenho coragem e enfrento as adversidades, mas devo confessar que às vezes me canso de remar contra a maré e me deixo levar pela correnteza. Como nos versos do poeta português Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) ” […] Vou onde o vento me leva e não me sinto pensar ” .

 

Neste momento, todavia, atravesso ondas bravias e terei de encarar mais uma vez o medo da dor. Mantenho, contudo, a esperança guardada em meu peito. Lembro-me da impermanência e do desapego ensinados por Buda. Por vezes, caro(a) leitor(a), tenho dificuldade em assimilar tais regras. O que aceito pela manhã, já à noite não aceito mais. E vice-versa. Vivo na incerteza de tudo.

Porém, nada de desesperança. Apenas sei que para ultrapassar os obstáculos que encontramos pelo caminho temos de, inevitavelmente, encarar nossa fragilidade. Admitir isso já é um grande passo dado. Felizmente, aprendi a nadar. Vamos em frente!

impermanenciaEnquanto conduzo meu barco com a inestimável ajuda técnica dos médicos(as), enfermeiros(as) e de todo o pessoal da área da saúde, este blog entrará no modo hibernação.

Espero retornar o mais breve possível. Tenho algumas chances. Se puder, caro(a) leitor(a) torça por mim ou, se for de rezar, reze porque suas preces serão sempre bem vindas. Estou precisando de uma boa torcida, tal qual aquela do bando de loucos corinthianos!

Para amenizar a situação descrita neste post, recomento a você caro(a) leitor(a) ouvir a bela canção brasileira de autoria de Almir Sater e Renato Teixeira, intitulada “Tocando em Frente “. É quase um hino à velhice! Bastará clicar no link abaixo:

 

Até a vista, caros(as) leitores(as).

Inês do Amaral Buschel, em 08 de junho de 2016

 

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