PARA REPARTIR COM TODOS, do poeta brasileiro Thiago de Mello  

 

Para celebrar o final deste ano de 2015, em vez de escrever um texto próprio, preferi oferecer a você caro(a) leitor(a), uma bela poesia de autoria de nosso grande poeta amazonense, Thiago de Mello. Desde jovem eu leio e admiro seus escritos e poesias. Suas palavras fazem bem ao espírito humano. Escolho dentre tantos, este poema que gosto muito de ouvir na própria voz do poeta.Thiago_de_ Mello

Caso você, caro(a) leitor(a), queira saber mais sobre Thiago, bastará clicar no link:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Thiago_de_Mello

Agradeço, imensamente, a atenção que recebi de tantos leitores(as), e o carinho de muitos que escreveram para mim neste ano. Apesar de escrever na língua portuguesa, observo que tenho leitores nos mais variados idiomas e cantos do mundo. Acho isso um fenômeno incrível! Morro de curiosidade de saber quem  são! Certamente, o aplicativo de tradução imediata tem auxiliado a toda essa gente. Ou serão todos cidadãos(ãs) lusófonos(as) espalhados pelo planeta? Ah! o que importa mesmo é estarmos juntos.

É muito bom saber que os muros que impedem a comunicação humana estão sendo, pouco a pouco, demolidos. Foi a invenção da Internet que nos facilitou essa aproximação. O mundo virtual contém muitas maldades e ódio, mas dentro dele há também grandes virtudes, como esta de proporcionar o bom diálogo humano!

Desejo a você caro(a) leitor(a), bem como a todos que você queira bem, Boas Festas e um Feliz Ano Novo! Nos reencontraremos em 2016! Até lá!

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PARA REPARTIR COM TODOS

Com este canto te chamo,
porque dependo de ti.
Quero encontrar um diamante,
sei que ele existe e onde está.

Não me acanho de pedir
ajuda: sei que sozinho
nunca vou poder achar.
Mas desde logo advirto:
para repartir com todos.

Traz a ternura que escondes
machucada no teu peito.

Eu levo um resto de infância
que meu coração guardou.
Vamos precisar de fachos
para as veredas da noite,
que oculta e, às vezes, defende
o diamante

Vamos juntos.
Traz toda a luz que tiveres,
não te esqueças do arco-íris
que escondeste no porão.
Eu ponho a minha poronga,
de uso na selva, é uma luz
que se aconchega na sombra.

Não vale desanimar,
nem preferir os atalhos
sedutores que nos perdem,
para chegar mais depressa.

Vamos achar o diamante
para repartir com todos.
Mesmo com quem não quis vir
ajudar, pobre de sonho.
Com quem preferiu ficar
sozinho bordando de ouro
o seu umbigo engelhado.

Mesmo com quem se fez cego
ou se encolheu na vergonha
de aparecer procurando.
Com quem foi indiferente
e zombou das nossas mãos
infatigadas na busca.

Mas também com quem tem medo
do diamante e seu poder,
e até com quem desconfia
que ele exista mesmo.

E existe:
o diamante se constrói
quando o procuramos juntos
no meio da nossa vida
e cresce, límpido,cresce,
na intenção de repartir
o que chamamos de amor.

(livro Mormaço na Floresta, 1981)

Para ouvir o próprio poeta declamando sua poesia, bastará clicar no link abaixo:

 

 

Inês do Amaral Buschel, em 20 de dezembro de 2015

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