A ESPIRAL DO SILÊNCIO: moldando a opinião dos que temem o isolamento social

Nós, os cidadãos comuns do povo, de uma maneira geral vivemos à mercê dos meios de comunicação social de massa. No território onde vivemos, seja urbano ou rural, o que os meios de comunicação noticiam e nos dizem, diariamente, seja pela imprensa escrita, pelas emissoras de rádio e TV, torna-se tema para images (10)nossas conversas e discussões com amigos, com colegas de trabalho, com familiares etc.

Esse fenômeno midiático é conhecido entre os especialistas como “agenda-setting ” (agendamento). Isso significa que são os comunicadores sociais quem escolhem os assuntos, sobre os quais vamos debater socialmente. Em outras palavras, eles nos pautam. Para saber mais, clique no link abaixo:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Agendamento

mediaOs fatos que não forem considerados importantes para os concessionários da radiodifusão e TV ou para os proprietários de jornais e revistas, não constará da pauta deles e não será publicado. Portanto, via de regra, não recebemos notícias sobre muitos fatos que seriam de interesse público, ou seja, importantes para nós, mas que não foram escolhidos pelos comunicadores sociais. Com a mídia brasileira sendo monopolizada (oligopólio) como é, poderemos escolher quaisquer meios e canais, que as notícias serão, predominantemente, as mesmas.

Há pelo menos duas décadas, todavia, através da invenção da Internet surge a blogosfera, o “mundo da web ”. Esse mundo virtual veio para complicar um pouco esse “meio de campo ”. Para o bem e para o mal, muitas vezes, a web nos auxilia a pensar sobre fatos variados, publicados ou não, dada a sua grande diversidade. Desde então, podemos pesquisar e conhecer fatos interessantes e importantes que, todavia, jamais estariam na pauta da mídia hegemônica. Para saber mais sobre a blogosfera, clique no link abaixo:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Blogosfera

Entretanto, mesmo neste início do Século XXI, não poderemos jamais nos esquecer de que a maioria das pessoas no mundo todo, se informa por intermédio de emissoras de radiodifusão e pela TV, raramente pela imprensa escrita que é bastante inacessível para pessoas de baixa renda e analfabetos funcionais. Por outro lado, as gerações acima dos quarenta anos de idade, por exemplo, em sua grande jornalismo-sensacionalista-300x229maioria, também não tem fácil acesso e capacitação para o uso dos computadores. Por isso também não tem o hábito de informar-se pela Internet. São as gerações mais novas que já naturalizaram o uso de computadores pessoais, e que começam a desprezar o uso da televisão. Todavia, ouvir rádio e ver TV ainda faz parte do nosso dia-a-dia.

Faço essa introdução acima para poder falar do tema deste post, que é o fenômeno midiático espiral do silencio grafico cópiadenominado por “Espiral do Silêncio “. Esse fenômeno se dá na construção da famigerada opinião pública. Trata-se de uma moderna teoria da comunicação, que nos foi apresentada pelos estudos da pesquisadora e cientista política alemã Elisabeth Noëlle-Neumann, em meados dos anos 70.

Segundo seus estudos, os comunicadores sociais ao condenarem e ridicularizarem, insistentemente, determinadas opiniões que contrariam seus próprios interesses,  vão minando resistências e conquistando adeptos entre seus ouvintes/telespectadores/leitores. Notadamente, aqueles que são inseguros ou que não tem opinião Elisabeth Noelleformada. Estes, frequentemente, adotam de imediato a opinião predominante e tomam-na como sua. Porém, muitos daqueles que discordam dessa opinião alardeada, por medo do isolamento social, não resistem por muito tempo na defesa de sua opinião divergente, e permanecem cada vez mais em silêncio.

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Muitos sujeitos contrariados, sentindo que sua opinião é minoritária, quando indagados em grupos sociais, seja em família, nas redes, no ambiente de trabalho etc, falam baixo no começo e por fim silenciam-se de vez, para não expor suas discordâncias. Outras vezes acabam aderindo à opinião majoritária. Assim  agem para evitar inimizades e a conseqüente solidão.  Se desejar saber mais clique no link abaixo:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Espiral_do_sil%C3%AAncio

Para dar um exemplo, neste trágico momento que vivemos no Brasil, poderemos lembrar da época em que o governo federal do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-1997), decidiu privatizar a mineradora estatal denominada Companhia Vale do Rio Doce. A opinião ideológica daquele tempo, repetida, insistentemente, pela mídia por todo território nacional, era de que o Estado era ineficiente e que torná-la uma empresa privada só traria bons resultados para o país.

Que dizer agora, após a empresa mineradora Samarco, controlada pela empresa Vale S.A. e pela multinacional anglo-australiana BHP Billiton , ter negligenciado cuidados básicos indispensáveis a que estava obrigada, e ter dado causa a um grande desastre, provocando a morte de dezenas de pessoas e comprometendo gravemente todo o meio ambiente? Cadê a tal eficiência das empresas do mercado? Cadê a riqueza e desenvolvimento que proporcionaria ao seu redor?

https://pt.wikipedia.org/wiki/Samarco

Para obter maiores informações sobre esse grave desastre ambiental, bastará clicar no link abaixo:

http://www.brasildefato.com.br/node/33496

Outros exemplos sobre a “espiral do silêncio ” , caro(a) leitor(a)  você poderá ler nos links indicados abaixo:

http://observatoriodaimprensa.com.br/feitos-desfeitas/a-espiral-do-silencio/

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz090908.htm

É verdade, contudo, que devido à invenção da Internet, as coisas andam mudando bastante. O reconhecimento da existência de real opinião pública – que já era contestada por muitos, desde sempre – agora diante das redes sociais se enfraquece um pouco mais. A invisibilidade pessoal que a Internet oferece, encoraja muitos sujeitos a dizerem o que pensam. Mas, também nesse ambiente virtual se mente muito. A virtude humana da coragem e o vício da covardia dividem o território virtual. A verdade é que a “espiral do silêncio ” embora com outros atores, funciona também nesse campo virtual, pois as pessoas continuam a ter medo do seu isolamento social.

apresentao1-3-638Certa vez, eu ouvi a opinião de um jurista que também era colunista de um jornal de grande circulação, e ele disse-me o seguinte: que importava mesmo era a opinião da imprensa escrita, pois o que as emissoras de rádio e TV faziam, por exemplo, era repetir e repercutir as notícias veiculadas pelos jornais e revistas, e não o contrário. Ele tinha toda razão. Até porque no Brasil, com o monopólio dos meios de comunicação de massa, a linha editorial é sempre a mesma, seja rádio, TV, jornal e revista. E, o que percebo ainda hoje, é que é a mídia hegemônica quem pauta a sociedade brasileira, aos internautas inclusive. Muitos nem sequer percebem isso.

A conclusão a que chego é a de que para – no mínimo – haver maior diversidade de opiniões, é urgente que o Congresso Nacional promova a regulação dos meios de comunicação brasileiros, como bem manda o § 5º do artigo 220 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.”

Para finalizar, recomendo a você caro(a) leitor(a) ouvir esta canção brasileira denominada “Comunicação “, de  autoria de Edson Alencar e Hélio Matheus, na bela interpretação da saudosa cantora Elis Regina, datada de 1972. Bastará clicar no link abaixo:

 

 

 Inês do Amaral Buschel, em 22 de novembro de 2015

 

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