REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, capital Maputo: Prazer em conhecê-la!  

Quando decidimos, minha filha e eu, visitarmos a África do Sul, resolvemos também conhecer Moçambique pois era perto dali, e poderíamos passear ao menos na Capital daquele importante país, a cidade de Maputo. Embora a África do Sul não exija visto de entrada no país, apenas o certificado de vacinação contra a febre amarela, Moçambique já exige visto e esse visto custa hoje R$250,00 por pessoa, e deverá ser recolhido no Banco Itaú. Além disso, deve-se enviar por Sedex, o comprovante de pagamento, o passaporte e o certificado de vacina contra febre amarela, para a Embaixada de Moçambique na cidade de Brasília, Capital do Brasil.

mapa_mocambique1Recordando, então, que a última cidade que havíamos visitado na África do Sul fora Durban. Dali embarcamos num pequeno avião da South Africa Airways e, em menos de 1:30h de vôo, chegamos em Moçambique no dia 21 de novembro p.passado, uma sexta-feira. Foi uma visita rápida, de apenas 4 (quatro) dias inteiros de hospedagem na cidade de Maputo. Queríamos conhecer um pouco desse povo africano que, como nós brasileiros, herdaram a língua portuguesa dos colonizadores. Ao descermos do avião sul-africano e ouvirmos os funcionários do Aeroporto Internacional de Maputo falarem conosco em português, sentimos ambas uma alegria imensa! Já estávamos com saudades do som mavioso de nossa língua-mãe! Lembrei-me da expressão do grande poeta lusitano Fernando Pessoa, quando escreveu: “Minha pátria é a língua portuguesa.”

O território de Moçambique compreende uma área de 801.590 km2, sendo banhado ao leste pelo Oceano Índico. Tem uma faixa litorânea de 2.515km de extensão. O clima é úmido e tropical. Sua população soma, aproximadamente, 25,83 milhões de habitantes. A moeda nacional é o Metical. Trata-se de uma República Democrática, um Estado unitário laico – há cristãos, muçulmanos e animistas – composto por 11 (onze) províncias: Cabo Delgado, Cidade de Maputo, Gaza, cordel MoçambiqueInhambane, Manica, Maputo, Nampula, Niassa, Sofala, Zambézia e Tete. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é baixo, 0,393 e o país encontra-se no 178º lugar da atual escala mundial. Penso eu que a razão dessa pobreza estrutural, está diretamente ligada à quase destruição do país durante os anos da guerra civil e também aos desastres naturais (secas, inundações etc). Além disso, não há justa distribuição de renda entre todos e a desigualdade social é obscena.

Hoje, Moçambique encontra-se em plena reconstrução e já há avanços notáveis. Nesse país há riquezas naturais tais como carvão, gás, titânio, ouro etc. Tem uma agricultura bastante desenvolvida, produz castanha de caju, milho, mandioca, algodão, coco etc. Além de um povo batalhador que, por si só, já é uma riqueza. Oxalá, doravante, vivam em paz de verdade e concretizem os princípios de uma justiça social tão necessária. Atrevo-me a pensar que um programa que vise a transferência de renda aos mais pobres, bem como a erradicação da criminalidade, são ações governamentais imperativas. A questão da educação parece estar sendo enfrentada. Ao menos numa recente reforma penal, progrediram bastante, pois houve a legalização da interrupção voluntária da gravidez e, por outro lado, revogaram-se leis antigas que criminalizavam a homossexualidade. Palmas para eles! Prá frente é que se anda, sempre respeitando-se os direitos humanos!

Lembrando que após a declaração de independência do país em 1975, irrompeu-se ali uma terrível guerra civil, uma luta fratricida que durou quinze anos. O Acordo Geral de Paz somente foi firmado em 1992, há apenas 22 anos. O quadro político é bastante complexo, mas resumirei o pouco que sei para você caro (a) leitor (a). Existe a FRELIMO – Frente de Libertação de Moçambique, partido de cunho socialista e que lutou e conquistou a independência do país e, desde então, o governa; ao lado dela surge a RENAMO – Resistência Nacional de Moçambique, partido de cunho capitalista e oposicionista, que luta para conquistar o governo central; há poucos anos surgiu um novo grupo dissidente da RENAMO, que criou o partido político MDM – Movimento Democrático de Moçambique e passou a disputar as eleições também.

ELEIÇÕESDesde o ano de 1994 há eleições em Moçambique, sempre se saindo vitoriosa a FRELIMO. No mês de Outubro de 2014 realizou-se mais uma eleição no país e, novamente, houve a vitória do candidato da FRELIMO, Filipe Nyusi com 57,14%, contra 36,38% do candidato da RENAMO e 6,48% do candidato do MDM. Há, naturalmente, resistência dos representantes da RENAMO em aceitar os resultados das urnas.

A língua oficial de Moçambique é a portuguesa. Todavia, o português é falado por, aproximadamente, apenas 40% da população, em geral nos territórios urbanos. Entretanto, o artigo 9º da Constituição do país prevê que o Estado “valoriza as línguas nacionais como patrimônio cultural e educacional, e promove o seu desenvolvimento e utilização crescente como línguas veiculares da nossa identidade.” As outras línguas de origem banto faladas no território moçambicano são: Xichangana, Xichope, Bitonga, Xishona, Xitsonga, Emakhuwa, Elomwe, Ximaconde, Zulu, Suaíli entre muitas outras. Se desejar saber mais, clique no link abaixo:

http://www.portaldogoverno.gov.mz/Mozambique

A cidade de Maputo é a maior do país. Antes da independência de Moçambique frente à Portugal, portanto, antes de 1975, o nome dela era Lourenço Marques. Sua população atual é de, aproximadamente, 1.270.000 habitantes e, além da língua portuguesa, ali é bastante comum as pessoas falarem o dialeto Xichangana. Esse município faz parte da província de Maputo. Tem como tradição ser considerada a Cidade das Acácias e também a Pérola do Índico. Encontrei no YouTube um vídeo turístico de apenas treze minutos, que nos apresenta uma bela Maputo. Ainda que esse vídeo esconda bastante a realidade local e exagere nas cores, se você caro (a) leitor (a) nada sabe sobre Maputo e quer saber algo, valerá a pena clicar no link abaixo:

 

Estando ali nos hospedamos no ótimo Hotel Avenida, situado num local bem movimentado, na Av. Julius Nyerere, para facilitar nossos passeios locais. Já tínhamos a informação de que naquela cidade o transporte público era bem precário. Mas há muitos táxis. Assim que nos ajeitamos no hotel, saímos à rua e fomos caminhando a pé até um pequeno centro de compras, o “Shopping Polana”, localizado ali próximo, onde havia uma casa de câmbio e pudemos trocar dinheiro. meticalConhecemos o metical, finalmente. Logo na primeira noite em Maputo, uma amiga de minha filha que estava trabalhando ali havia seis meses, convidou-nos para conhecer uma cena musical na “Associação dos Músicos de Moçambique “. Lá fomos nós cantar um pouco, ouvir bastante música e experimentar a popular cerveja “Manica”. Conhecemos muita gente boa ali naquele ambiente. Fizemos amigos (as). O povo moçambicano, tal como nós os brasileiros, gosta muito de música. Eles cantam e dançam sempre que podem.

CAPULANAS1No sábado, dia 22, fomos conhecer a região central da cidade, conhecida por Baixa, onde o comércio popular ferve, com muitas lojas e muitos vendedores ambulantes e camelôs. Sabe o que buscávamos conhecer ali, caro (a) leitor (a)? As famosas capulanas de Moçambique! Caso você não as conheça, trata-se de um pano de algodão com estampas belíssimas e muito coloridas, que é vendido em cortes de 2m ou 4m. As mulheres usam essa peça para fazer belos turbantes, para usar sobre uma roupa comum e enfeitar-se com uma saia colorida, para carregar bebês nas costas ou no peito, para usar como canga nas inúmeras praias do país ou em casa como toalha de mesa, para fazer belos vestidos etc, etc. Esse tecido tem mil e uma utilidades! Claro que minha filha e eu compramos algumas e ficamos contentes. Fizemos a riqueza circular! Soubemos, entretanto, que as capulanas já não fazem tanto sucesso entre as mulheres jovens do meio urbano. Talvez, para elas seja uma vestimenta muito tradicional e por isso já não agrade tanto.Capulana 23

Nesse mesmo dia, fomos conhecer a Praça da Independência, onde se localiza a grandiosa estátua em homenagem ao líder revolucionário e 1º Presidente da Nação Moçambicana, Samora Machel. Nessa praça também estão situadas as belas edificações dos Correios, da Prefeitura e a Catedral Metropolitana de N.S. da Conceição. Nas imediações também se encontra o Centro Franco-Moçambicano onde seguimos para almoçar, acompanhadas de alguns amigos e para conhecer o local. O cardápio moçambicano é semelhante ao nosso: tem salada, pães, arroz, feijão, batatas, carne de boi, frango, peixe e frutos do mar. Tudo servido com um tempero bem famoso, uma pimenta chamada piri-piri. A gastronomia moçambicana tem muita influência da mesa indiana, como os snacks chamados “chamuças”, e da portuguesa, claro, como o bacalhau e os pastéis de Belém. O prato bastante popular em Maputo chama-se “Matapa” que é uma espécie de creme preparado com verdura, amendoim, coco e mariscos. Tudo isso acompanhado da premiada cerveja “Laurentina” que é mesmo muito boa! Caso você caro (a) leitor (a) queira saber um pouco mais sobre o Centro Cultural acima mencionado, bastará clicar no link abaixo:

http://www.ccfmoz.com/

Palácio dos CasamentosNo dia seguinte saímos para caminhar pela cidade desde cedo. Nos deparamos com um movimentado trânsito de noivas pelas redondezas. Foi quando nos demos conta de que, na vizinhança do hotel, localiza-se o famoso “Palácio dos Casamentos “. Trata-se de um prédio estilo grego, construído em 1930, onde funciona o Registro Civil da cidade e ali se realizam os casamentos civis. Entretanto, os noivos e convidados comparecem ao local vestidos da maneira como se costuma fazer num casamento religioso. Observamos, também, que o tráfego urbano da cidade é bem congestionado e por ele já dá para ver a vexatória desigualdade social: há carros novos valiosíssimos ao lado de veículos velhos e caminhonetas carregando passageiros na carroceria aberta (também conhecidas por chapas). Como o transporte público é precário, o povo se utiliza do que estiver à mão.chapas

E com bom humor, ao trafegar na carroceria das caminhonetes apinhadas de gente, os cidadãos apelidaram essa maneira rude de “my love “, porque todos tem de se abraçar para não caírem…

feimaContinuando nossa caminhada matinal, fomos conhecer a ótima “FEIMA – Feira de artesanato, flores e gastronomia de Maputo”, situada no Parque dos Continuadores. Ali encontramos objetos de arte de grande qualidade, muitos batiks –  telas de pano desenhadas com cera quente e tingimento em cores – , colares de ébano, cestas, bonecas de pano, utensílios variados, totens africanos, enfim um mundo de belo artesanato africano e uma imensa variedade de…capulanas!! Essa feira funciona todos os dias, das 10h às 18h. Retornamos ali na segunda-feira, nosso último dia em Maputo, para almoçarmos muito bem ao lado de alguns amigos brasileiros e outros moçambicanos que vivem e trabalham naquela cidade.batik

De repente, não mais que de repente, quem surge logo à nossa frente? O famoso e amado escritor moçambicano Mia Couto, ganhador do Prêmio Camões em 2013! Por um minuto titubeamos se deveríamos ou não incomodar o escritor-biólogo, que conversava com alguém naquele ambiente ao ar livre. Vencemos a timidez. Não podíamos perder aquele oportunidade única de falar com ele. Nos apresentamos e ele nos recebeu muito bem, simpático e disposto a tirar fotos com seus animados fãs brasileiros. Muita alegria nesse momento! Ficamos todos felizes! Para quem não o conhece, informo que muitos dos seus livros foram publicados no Brasil, pela Editora Cia. das Letras. Se desejar, assista a uma conferência dele no vídeo abaixo:

 

 

Por falar em escritor, eu gosto muito de uma escritora moçambicana chamada Paulina Chiziane, que teve um dos seus mULHERESlivros – “Niketche” – também publicado aqui no Brasil pela Cia. das Letras (já esgotado). Há pouco mais de um ano, ela publicou lá em Moçambique um livro escrito em parceria com Maria do Carmo da Silva, cujo título é “Na mão de Deus“. Trata-se de um relato onde ela descreve o que lhe ocorreu durante o período de uma semana em que ficou internada numa ala psiquiátrica, devido a ter sofrido algumas perturbações psíquicas momentâneas. Tenho interesse em ler esse livro. Minha filha e eu acabamos conhecendo muitas livrarias de Maputo, buscando-o! Em vão. Está esgotadíssimo. Paciência. Caso você caro (a) leitor (a) tenha vontade de ler algum livro dela, há um com o título “As Andorinhas “, publicado no Brasil pela editora Nandyala, de Belo Horizonte/MG, 2013. Por edição digital – e-book – é possível adquirir outro livro, intitulado ” O alegre canto da perdiz “. Se quiser, dê um clique no link abaixo e assista a uma entrevista dela quando esteve no Brasil há dois anos:

 

Nessa viagem dei-me conta do merecido respeito que dedicam ao 1º presidente da FRELIMO,  Eduardo Mondlane (1920-1969), um sociólogo moçambicano que lutou pela independência do país e acabou assassinado brutalmente. A principal Universidade pública do país, p.ex., leva seu nome, Universidade Eduardo Mondlane:  http://www.uem.mz/

Estando por lá aprendi também que há um cineasta importante chamado Licínio de Azevedo, que é brasileiro/gaúcho e vive há 35 anos em Moçambique. Seu mais recente filme é um sucesso, e intitula-se “Virgem Margarida “. Infelizmente, não tivemos acesso ao DVD e não vimos o filme. Comprar DVDs e CDs em Maputo não é tarefa fácil.

Para finalizar, gostaria de recomendar a você caro(a) leitor(a) assistir ao videoclipe indicado logo abaixo, e conhecer a  “marrabenta”, um ritmo popular moçambicano. Quem canta é Neyma,  que faz muito sucesso em Moçambique:

 

Inês do Amaral Buschel, em 04 de janeiro de 2015.

 

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