VOTO EM DILMA ROUSSEFF DE NOVO, PELO PARTIDO DOS TRABALHADORES

Aqueles que me conhecem ou, ao menos os que leem os textos que venho escrevendo e publicando na internet há mais de dez anos, sabem de antemão que, no jogo de xadrez da política eu coloco-me no campo da esquerda democrática. E, veementemente, repudio qualquer proposta de Estado mínimo para o povo. Sim, porque aqueles que reivindicam o Estado mínimo, na verdade e sorrateiramente, pleiteiam o Estado máximo para proteger o capital. É só para o povo trabalhador que eles desejam o mínimo. Desprestigiam as políticas públicas. Para combater as desigualdades sociais é preciso que todos os cidadãos brasileiros saibam, que o Estado brasileiro não poderá ser mínimo.

As pessoas que, ideologicamente, encontram-se no campo da direita, ou até mesmo aquelas que um dia estiveram ao lado da esquerda mas viraram a casaca, costumam dizer por aí que o pensamento de esquerda acabou. Isso é que chamo de ideologia! Nunca você encontrará alguém da esquerda dizendo que as posições de esquerda ou de direita acabaram. É o que penso. Direita e esquerda estão bem vivas ainda no Século XXI. O deus mercado que o diga. É do pensamento da esquerda democrática que a mão invisível do mercado tem aversão. Basta, para isso, prestarmos atenção na tendenciosa difusão do pensamento único de nosso mercado de notícias.

Já expliquei parte disso aqui neste blog num post publicado antes das eleições de 2010 no Brasil, quando declarei meu voto em Dilma Rousseff. Se quiser lê-lo clique no link abaixo:

https://blogdaines.wordpress.com/2010/03/30/eleicoes/

avatar InesTer escrito esse post acima referido, foi muito bom. Nunca mais recebi mensagens xingando o Partido dos Trabalhadores ou a Presidenta Dilma. As pessoas com as quais mantenho relacionamento, passaram a respeitar-me um pouco mais. Agradeço a deferência concedida. Respeitar a liberdade de expressão e a escolha dos outros é mais do necessário. É o que faço. Devemos respeitar a liberdade de escolha individual, seja ela a respeito de religião ou partido político. Criticar as escolhas feitas pelo outro é legítimo, mas desqualificar moralmente as pessoas e demonizar partidos políticos não é.

Nós brasileiros, infelizmente, não recebemos educação política nos bancos escolares. Nem mesmo brasileiros com bom nível de escolaridade, em geral, conhecem as regras constitucionais de seu país. Muitos são aqueles que não conhecem a divisão de competências de cada um dos três poderes da República e nem mesmo as regras federativas sobre a autonomia dos Estados e Municípios. E, o que é pior, sequer valorizam esse saber. E, no entanto, para entendermos da política interna  brasileira será preciso saber a quem compete fazer o que no território nacional. Como a ignorância política é generalizada – e a má fé também – todos cobram tudo só do governo federal (Executivo). Nem se lembram da existência e imensa importância do Poder Legislativo.

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Nas eleições de 2010, eu escrevi e publiquei as dez razões pelas quais estava votando em Dilma Rousseff para Presidencia da República Federativa do Brasil. Agora, em 2014, eu reitero todas aquelas razões e acrescento outras. O governo de Dilma melhorou muitíssimo a vida da maioria do povo brasileiro. No governo dela a prioridade é o emprego para os trabalhadores. Milhões de pessoas saíram da condição de pobreza. O Brasil é muito respeitado no âmbito internacional e as desigualdades sociais tem diminuído, e esse combate pela inclusão social tem sido sem trégua. A Comissão Nacional da Verdade foi instalada e encontra-se em pleno funcionamento. A Copa do Mundo transcorreu em clima de segurança pública e alegria.

Houve incentivos para a criação de milhões de empregos; o programa Luz para Todos avançou; o programa Mais Médicos buscou recrutar médicos para o atendimento de saúde nos locais mais longínquos; combateu-se o racismo e investiu-se muito no setor da educação; criou-se o programa Ciência sem Fronteiras; houve investimentos em obras de infraestrutura no país todo, a Petrobrás é hoje uma das grandes empresas petroleiras e o investimento na camada do pré-sal está gerando lucros etc.

Sei que muitos companheiros desejariam que um governo petista tivesse avançado mais à esquerda, p.ex., na realização da reforma agrária e na demarcação das terras indígenas. Porém, considerando-se a atual conjuntura da economia internacional bastante turbulenta e, considerando-se as limitações impostas a um governo de coligações partidárias, acho o governo de Dilma muito bom. Se quiser saber mais sobre suas realizações, vá até o site da atual campanha eleitoral: http://www.dilma.com.br/

A grande maioria do povo brasileiro, que carrega este país nas costas, só passou a ser prioridade de governo a partir do governo do Presidente Lula, do Partidos dos Trabalhadores e, depois, durante o governo dela, houve continuidade nesse tratamento social. Não me decepcionei com o PT e tampouco com nossa Presidenta. Estou ciente, perfeitamente, de que houve erros no caminho. Todavia, acho seu governo bem rigoroso e competente. Ela é uma pessoa muito séria. As classes privilegiadas não suportam ver o PT e a Presidenta Dilma com tanto poder político. O preconceito de classe social dos mais abastados em relação à classe trabalhadora brasileira parece insuperável. A maldade dessa gente é uma arte. Não se cansam de menosprezar todos os avanços sociais conquistados no governo de Dilma. Eles odeiam o PT.

Dilma4O governo da República Federativa do Brasil será sempre exercido com coligações partidárias. Isso é da natureza da democracia representativa, e serve para o bem e para o mal, infelizmente. Não há a menor possibilidade de um partido sozinho governar esse imenso território, cheio de conflitos. Por exemplo, imagino que o governo de Dilma Rousseff não tenha conseguido obter consenso para realizar a Reforma Política tão necessária. Trata-se de uma emenda constitucional que, para sua aprovação, depende da vontade dos vários partidos políticos que compõem o Congresso Nacional.

É no Poder Legislativo que se concentra a maior fração de poder político numa democracia. Muitos outros projetos de lei – marco regulatório da mídia, conselhos populares –  e, notadamente, todos aqueles que objetivam modificar questões de direitos humanos – descriminalização do aborto voluntário, criminalização da homofobia, união homoafetiva -, e que contrariam dogmas religiosos, não prosperam no Congresso Nacional.

O Congresso manda e não só pede. Embora a grande mídia brasileira insista em alardear que o Parlamento vive de joelhos e só faz o que o Poder Executivo manda, isso não é verdade. Os deputados e senadores fazem apenas o que desejam fazer. Ao contrário do que propaga essa mídia, se os parlamentares desejarem colocar tanto o Executivo como o Judiciário de joelhos, o farão. Daí a extrema importância de elegermos parlamentares integrantes de partidos que levem a sério a governabilidade do país. O povo deve pressionar os parlamentares, visando obter aprovação de projetos de lei de seu interesse.

Por outro lado, nesse mesmo diapasão, temos o comportamento político do Poder Judiciário. Seus integrantes não são eleitos diretamente, mas o poder que detém é político-jurídico. Caso alguém acione a Justiça Pública contra atos do Executivo e os integrantes do Judiciário concordarem com o pedido, algumas iniciativas do governo serão suspensas durante meses e meses por intermédio de decisões judiciais. Poderão, portanto, emperrar a máquina administrativa governamental. Todos os três poderes da República compõem, na realidade, um só poder que governa o país. Para haver governabilidade, será preciso que todos estejam de pleno acordo. O poder político está dividido em três Instituições independentes, poderosas, que devem trabalhar em harmonia, porém nem sempre é essa a nossa realidade política.Dilma

Ninguém facilita a vida do (a) ocupante da Presidência da República. Nem mesmo os integrantes das Forças Armadas – que fazem parte do próprio Poder Executivo e devem obediência ao poder civil – facilitam a vida do (a) governante. Ao contrário, se puderem constrangê-lo(a) o farão. Como já fizeram inúmeras vezes na história de nosso país. Nada acontece entre os três Poderes que não seja negociado. A isso se dá o nome de política partidária. Para os descontentes trata-se de reles barganha. Às vezes, até poderá ser isso mesmo.

Caro (a) leitor (a), aqui quero fazer uma referência ao recente filme estadunidense “Lincoln “, dirigido por Steven Spielberg, lançado em 2013. Seu roteiro é baseado na obra escrita por Doris Kearns Goodwin intitulada “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln ” , mas se foca apenas num determinado episódio da vida daquele grande Presidente dos EUA, que viveu entre os anos 1809 a 1865, quando foi assassinado.

O foco do filme concentra-se no momento em que ele apresenta uma proposta de emenda constitucional, objetivando a abolição da escravatura das pessoas de pele negra naquele país. Assista ao filme para saber o que os parlamentares fizeram com ele. Foi horrível, vergonhoso e degradante. Mas Lincoln ao final venceu, não sem antes oferecer benesses aos renitentes. Se desejar, dê um clique no link abaixo e assista ao trailer:

Dilma_bandeiraSinto orgulho de ver a Presidenta Dilma governando meu país. É natural que algumas vezes possa ter cometido erros, mas procurou acertar. Ela não usa do cargo para engrandecer-se ou enriquecer. Não se utiliza de messianismo. Trabalha duro todos os dias e assume responsabilidades. Merece, por isso, o respeito dos brasileiros.

Mas dentre nós há muita gente mal educada, mormente nas classes sociais mais escolarizadas e bem de vida. Odiei vê-la ser xingada nos estádios de futebol durante a Copa do Mundo. Senti vergonha alheia. Uma cena horrorosa e inesquecível, ainda mais vindo de dezenas de mulheres das classes médias endinheiradas. É esse pessoal que se agarra ao delírio da “nova política”. Na realidade, o que desejam mesmo, é o retorno da velha política, quando a direita mandava sozinha no país inteiro.

Sei, perfeitamente, que os banqueiros e grandes empresários multimilionários, os tais rentistas, exercem um poder imenso no governo brasileiro. Isso, infelizmente, não é de hoje e sequer é um problema só do Brasil. O sistema financeiro põe de joelhos qualquer governo do planeta, haja vista o que vem acontecendo nos EUA e no sistema financeiro de muitos países europeus. Como alguém já disse, corretamente aliás, esses são os  verdadeiros Senhores do Universo.

É muito difícil enfrentá-los, pois usam de métodos nada éticos. Precisamos estar muito atentos – de olhos bem abertos – ao poder exercido pelos donos do capital, porque eles não só exercem esse poder sobre os governos, mas também o fazem sobre nossas próprias vidas. Essa é uma das razões do porquê sou radicalmente contra a independência do Banco Central. ISTO NEM PENSAR!

Para homenagear nossa Presidenta, reproduzo aqui o belo poema de autoria do grande poeta português Fernando Pessoa ( 1888/1935), do qual gosto demais e que se intitula

Poema em linha reta

 ” Nunca conheci quem tivesse levado porrada

  Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

   E, eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

   Eu  tantas vezes irrespondivelmente parasita,

   Indesculpavelmente sujo,

   Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho

   Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

   Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

   Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

   Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

   Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda,

   Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

   Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

   Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

   Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

   Para fora da possibilidade do soco.

   Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

   Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

   Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

   Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

   Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

   Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

   Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

   Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

   Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

   Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

   Ó príncipes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!

   Onde é que há gente no mundo?

   Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?dilma-tortura1

   Poderão as mulheres não os terem amado,

   Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!

   E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

   Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

   Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,

   Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

 

Tal qual o poeta, eu também estou farta de semideuses (as) e daqueles (as) que são campeões (ãs) em tudo. Se você caro (a) leitor (a) quiser ouvir esse poema declamado por nosso saudoso ator Paulo Autran, dê um clique no link abaixo:

 

Finalizando, acredito e torço para que a maioria do povo brasileiro apoie a reeleição da Presidenta Dilma. Ela é merecedora da confiança dos trabalhadores e deve governar por mais quatro anos. Eu confio nela e contribuirei para que isso aconteça. Meu voto é dela.

VitóriaVIVA DILMA MIL VEZES!

 Inês do Amaral Büschel, em 07 de setembro de 2014.

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