junho 02

SOBRE A FELICIDADE – I

Árvore da Felicidade

Árvore da Felicidade

Há alguns anos, uma querida amiga chamada Olzaneide, falou-me sobre um interessante país asiático que inventara um modo de aferir o grau de felicidade de seu povo, o Butão. Mais tarde, num certo dia, lá pelo ano 2009, conversando num estacionamento enquanto esperávamos nossos carros, um colega e amigo, Antonio Ozório L.Barros, falou-me a respeito da proposta de emenda constitucional (PEC) que pretende inserir em nossa Constituição Federal a expressão “em busca da felicidade“. Achei uma boa idéia, mesmo sabendo que não bastará escrevê-la apenas. Muito tempo depois dessas conversas informais, uma psicóloga, Dra. Marilda Lipp, com quem recentemente fiz um tratamento psicoterápico para aprender a controlar meu estresse excessivo, um dia sugeriu-me que fizesse uma seleção musical sobre o tema da felicidade, pois assim eu estaria durante algum tempo focada e dedicada em boas coisas e bons pensamentos. Aceitei a sugestão. É que ela, a Dra. Marilda, já sabia de meu prazer em  dedicar-me a elaborar seleções de músicas a respeito de determinado temas, com a simples finalidade de presentear amigos queridos. Já fiz nove seleções musicais sobre diversos assuntos que me interessam muito: As velhices, As loucuras, As amizades, As mulheres, Homenagem ao Jeca Tatu, Homenagem ao Rádio etc.

Pois bem, a partir daí passei a me interessar mais por essa tal de felicidade e pensei até em escrever sobre isso. Mas é bem difícil esse assunto. Tenho estudado-o bastante. É complicado. Tentarei, todavia, alinhavar um ou dois textos contando sobre o que aprendi lendo livros, assistindo a filmes e vivendo a vida, claro! Ah!, mas preciso contar-lhe também que consegui fazer uma seleção musical, uma trilha sonora sobre o tema, a qual denominei “Alegria, Sonho e Felicidade”. Vivi momentos bem felizes enquanto ouvia as várias canções maravilhosas que versam sobre tais sentimentos humanos, e escolhi algumas delas. Selecionei 23 músicas que somaram os 80 minutos cabíveis num simples CD virgem. Fiquei surpresa com uma dessas músicas ouvidas, pois não a conhecia e adorei ouvi-la. É bem irônica e intitula-se “Felicidade“. É de autoria do professor e compositor paulistano Luiz Tatit. Se quiser ouvi-la cantada pelo próprio autor, bastará clicar no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=-tkSFVagWeA

Tentando conceituar o que significava a palavra felicidade, acabei lembrando-me das palavras escritas pela nossa grande poeta Cecília Meireles a respeito do que é liberdade (em sua obra Romanceiro da Inconfidência). Ela disse: […] Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta/ que não há ninguém que explique/ e ninguém que não entenda […] . Acho eu que temos a mesma dificuldade ao tentar conceituar a palavra felicidade.

Todos nós, os seres humanos, buscamos a felicidade em nossa vida e temos uma idéia pessoal do que ela é. Todavia, quando nos perguntam sobre o que é a felicidade, também não conseguimos explicá-la direito.  Para facilitar isso, poderemos, então, tomar como parâmetro a definição dessa palavra num dicionário brasileiro. Por exemplo, no Houaiss: Felicidade équalidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar; boa fortuna; sorte; bom êxito; acerto, sucesso, prosperidade, dita, ventura […].

Bem, voltando um pouco na história universal, lá pelo final do Século 18, havia no mundo ocidental um clima revolucionário movido tanto pelo povo norte-americano quanto pelo povo francês e, nessas reivindicações coletivas havia sempre referências ao direito à felicidade a que fariam jus todos os cidadãos.  Como resultado dessas vitoriosas lutas sociais podemos constatar que no texto da Declaração da Independência dos E.U.A., datada de 1776 e redigida por Thomas Jefferson, logo em seu início está ali escrito o seguinte:

Declaração de Independência

Declaração de Independência

Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação. Considerando estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade. […]

Por outro lado, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (francesa), datada de 1789, podemos ler:

Declaração dos direitos do homem e do cidadão.

Declaração dos direitos do homem e do cidadão.

“Os representantes do povo francês, reunidos em Assembléia Nacional, tendo em vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.”[…]

Vemos, então, que a luta pela felicidade é um assunto muito antigo e muito sério para todos os povos do planeta Terra. E no nosso Brasil, como poderemos encontrar um documento civil importante que faça referência à nossa felicidade? Sim, também somos um povo que busca a felicidade, mas cá entre nós onde está escrito isso? Claro, há ótimos professores e escritores brasileiros que nos iniciam nesse tema. Sem falar nos nossos maravilhosos artistas e compositores que nos remetem à felicidade. Todavia, como gostamos de ser positivistas – desde as lições de Augusto Comte! – precisamos ver um documento onde esteja escrito que nós, os brasileiros, temos direito à felicidade.

Se bem que, justiça seja feita, nosso D. Pedro I, quando ainda era príncipe regente, no dia 09 de janeiro de 1822, diante de um chamado da corte portuguesa para que voltasse à Portugal, declarou que: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”. Taí o Dia do Fico. E ficamos devendo essa felicidade a Dom Pedro de Alcantara.

Uma razão atual para a sensibilização social brasileira para o tema da felicidade, foi a questão levantada pela ONG Movimento + feliz  que, inspirados no referido exemplo do Butão, pretendem instituir no Brasil um índice indicativo de felicidade coletiva:

http://www.maisfeliz.org/

http://www.mundosustentavel.com.br/2012/04/brasil-desenvolve-estudos-para-criar-seu-indice-de-felicidade-interna-bruta/

Considerando-se que, ao elaborarem a Constituição da República Federativa do Brasil, datada de 1988, nossos parlamentares constituintes esqueceram-se de inserir a palavra “felicidade” nesse fundamental documento brasileiro, há hoje a Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 19/2010, subscrita pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e outros, que propõe acrescentar ao artigo 6º (Capítulo II – Dos Direitos Sociais) a expressão “essenciais à busca da felicidade“, que passaria então a ser redigido da seguinte maneira: “Art. 6º São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”

Caso você queira saber mais sobre a chamada PEC da Felicidade, poderá clicar no seguinte endereço:

http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=97622

Com referência ao país chamado Reino do Butão, uma monarquia constitucional budista, que se localiza na Ásia, fazendo limites com a China e a Índia (bem ali nas montanhas do Himalaia), destacamos que ele chamou a atenção mundial porque ali, há três décadas, um rei criou o Índice Nacional da Felicidade Bruta (INFB) para contrastar com o PIB (Produto Interno Bruto). Mas não se iluda, pois  ali não é o céu. Muito ao contrário, trata-se de um país muito pobre e não desenvolvido. Foi o primeiro país a banir o uso do tabaco, no ano de 2004. Fumar tornou-se um crime. Se essa atitude trará felicidade para todos, tenho cá minhas dúvidas. Penso que temos de restringir o uso, educar as pessoas para o não uso, mas bani-lo? Caso você queira saber mais sobre o Butão, bastará clicar:

http://pt.wikipedia.org/wiki/But%C3%A3o

http://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade_Interna_Bruta

Depois de todas essas informações, passarei a comentar sobre a questão filosófica da Felicidade propriamente dita, tema que na atualidade é objeto de estudos e pesquisas elaboradas pela categoria profissional dos psicólogos (as).

Terei de iniciar esta parte do meu texto mencionando o antigo filósofo grego Epicuro (Século III a.C.), pois, no meu modesto entender, no mundo ocidental é ele a maior referência sobre o estudo da felicidade. Algum de seus alunos deixou registrada – felizmente! – as lições desse mestre inscritas em pedra, e que é conhecida como Tetrapharmakon – seriam quatro remédios para a felicidade – que consiste nos seguinte dizeres:

“Não há o que temer quanto aos deuses./ Não há nada a temer quanto à morte./ Pode-se alcançar a felicidade./ Pode-se suportar a dor.”

Para melhor entender esses dizeres, encontrei na internet um ótimo site filosófico que aconselho a você, se houver interesse,  a visitar,  ler e assistir a um curto vídeo, pois é muito elucidativo:

http://www.tetrapharmakon.com.br/epicuro.html

Eu vou ficando por aqui para não aborrecê-lo(a) …e deixá-lo(a) infeliz. Prometo continuar a escrever, em breve, sobre esse fascinante tema humano. Por enquanto reflita bastante sobre as lições de Epicuro e, se puder, leia a tradução brasileira (Editora UNESP) da “Carta sobre a Felicidade” escrita por ele. ATUALIZANDO: O Dia Internacional da Felicidade é festejado desde 2012, no dia 20 de março: http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2014/03/dia-internacional-da-felicidade-e-comemorado-nesta-quinta-feira-20

Carta sobre a Felicidade

Carta sobre a Felicidade

E, se desejar animar-se, ouça a bela canção ” Alegria” escrita pelo compositor brasileiro Assis Valente (1911-1958) na voz belíssima  da nossa cantora Vanessa da Mata:

http://www.youtube.com/watch?v=UHsAiB1TcHg

E seja feliz! Se precisar, lute por isso e se esmere nessa busca pois valerá a pena.

 Inês do Amaral Büschel, em 2 de junho de 2013.

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