março 24

“UP 2” – UM MUSICAL COM PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN

Há na cidade de São Paulo um teatro cujo nome é Teatro Dias Gomes. Está localizado no bairro da Vila Mariana, na Rua Domingos de Moraes nº 348 – telefone (11) 5575-7472, e situa-se entre as estações do metrô Ana Rosa e Vila Mariana. É nesse local que funciona a Oficina dos Menestréis: www.oficinadosmenestreis.com.br

A criação dessa oficina foi uma iniciativa do ator e diretor teatral Deto Montenegro que, no ano de 1993, em parceria com o ator Marco André B. Magalhães (Candé) fundaram uma empresa de teatro musical. Anteriormente, desde o ano de 1986, na cidade do Rio de Janeiro, o cantor e compositor brasileiro Oswaldo Montenegro – irmão de Deto – criara um novo método para dirigir e treinar seu elenco de atores e bailarinos, contando com a participação do próprio Deto. Foi no ano de 1991 que a Cia. Oswaldo Montenegro desembarcou em São Paulo e colocou em cartaz a peça musical “Noturno”. Essa peça é encenada até hoje no Teatro Dias Gomes.

Mas o que eu quero lhe contar leitor(a), é que o Deto, dentre outras atividades, dedica-se também a dirigir e treinar pessoas com Síndrome de Down, para apresentar uma peça musical que se chama UP. Esse treinamento e os ensaios acontecem todos os domingos pela manhã, já há algum tempo. No ano passado, em maio de 2010, houve a estréia do espetáculo. Neste ano de 2011, no próximo mês de abril, essa peça será encenada novamente, desta vez com o nome de UP 2. É algo extraordinário como esse profissional prepara os atores. Eu assisti à primeira apresentação deles em 2010 e fiquei muito emocionada. Todos foram ótimos! Um dos atores, o Gustavo – que está comigo na foto ao lado – é meu “sobrinho” adotivo, um jovem adulto de 34 anos que é muito querido – ele é filho de minha amiga Suely e do Cacau. Após o espetáculo ele estava orgulhoso e felicíssimo! É muito legal você ver a alegria estampada no rosto desses atores! Palmas para eles que eles merecem!

Gustavo e eu

Gustavo e eu

O Gustavo é mesmo um artista: é ator de teatro, gosta de pinturas e é pintor de quadros (o quadro ao fundo da foto é de sua autoria), é esportista (gosta de nadar), adora ler sobre futebol (sabe a escala de todos os times), gosta de ouvir música, assistir filmes, fazer sanduíches etc. Ele tem muitos amigos desde criança e é uma pessoa feliz. Tem muito amor pela mãe. É amado por toda a família e pelos amigos dos familiares, por mim, inclusive!

Dois irmãos do Gustavo, Danilo e Natália, são cineastas e no ano de 2007, o Danilo dirigiu um filme cujo roteiro ele mesmo fez em parceira com Henri Grazinolle, e contou com a participação da irmã Natalia na direção de arte. Esse filme recebeu o nome de “Pugile”, tem 21 minutos de duração e foi premiado na 9ª Mostra de cinema em Londrina. A narrativa envolve dois irmãos – um deles com síndrome de down – imersos em seus mundos particulares, e que só compartilham a paixão pelo espetáculo do telecatch. Diante de um inesperado problema familiar, a vida os coloca frente a frente. Antes das filmagens o Gustavo foi convidado pelo irmão Danilo para ser o protagonista do filme, mas na hora “H” ele recusou o convite. Por vezes o Gu é bem teimoso. Participaram, então, Diogo Junqueira Avelino da Silva e Gustavo Brandão. A realização desse filme nos mostra a importância do Gustavo na vida de seus irmãos.

A vida cotidiana das pessoas com essa síndrome, bem como a de seus familiares, não é tarefa fácil em nossa sociedade “super-exclusiva” e que é, portanto, excludente ao máximo. Muitas vezes devem sentir desânimo frente a tantas dificuldades, principalmente aquelas famílias desprovidas de recursos financeiros. Claro que no passado essa exclusão já foi muito pior. Temos feito progressos no caminho da inclusão social das pessoas diferentes, mas ainda nos falta muito para que isso ocorra com normalidade, sem alarde e para todos, sejam pobres ou ricos. Há poucos anos – apenas em 2006 – é que surgiu no mundo a idéia de se estabelecer um dia especial para chamar a atenção dos cidadãos para essa síndrome genética.

No último dia 21 de março comemorou-se o Dia Internacional da Síndrome de Down. Essa data foi instituída pela organização Down Syndrome International visando a conscientização de todos para a diversidade. A data é simbólica, pois quando escrevemos 21/3 ou 3/21 podemos fazer a associação com os 3 cromossomos número 21 que as pessoas com essa síndrome têm. Quem descreveu tal síndrome foi o médico inglês John Langdon Down, em 1866, daí a adoção de seu nome para identificá-la. Mas foi somente no ano de 1958 que o médico pediatra francês e professor de genética, Jerôme Lejeune, descobriu que a causa da disfunção era genética e ocorria ao acaso, durante a divisão celular do embrião: em vez de 46 cromossomos divididos em 23 pares, o indivíduo possui 47 cromossomos, sendo um a mais no par 21.

Down

Aqui no Brasil houve diversas celebrações dessa data em muitas instituições públicas e privadas. Em nosso Supremo Tribunal Federal, em Brasília, por exemplo, também houve destaque. Basta você clicar para ver a cerimônia ali realizada:http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI129195,81042-STF+celebra+Dia+Internacional+da+Sindrome+de+Down

No âmbito da ONU já temos hoje a “Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, a qual já foi adotada pelo governo brasileiro e encontra-se, portanto, em plena vigência no território nacional. A batalha agora é colocá-la em prática, convencendo a todos da necessidade do respeito incondicional à dignidade humana, porque somos todos iguais como pessoas humanas. Caso você leitor(a) tenha interesse em ler esse documento bastará clicar no endereço indicado a seguir:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm

O cantor e compositor brasileiro Lenine compôs uma bonita música com o nome “Diversidade”, que nos diz bastante sobre a necessidade de aceitarmos as diferenças apresentadas pela vida. Dê um clique aqui para ler a letra e ouvi-la: http://www.vagalume.com.br/lenine/diversidade.html

Com o tema da Síndrome de Down há um belo e ótimo filme dirigido por Jaco van Dormael, em co-produção (França, Bélgica e Inglaterra), que foi lançado em 1996 e tem a duração de 118 minutos. Chama-se “O Oitavo Dia”. É um drama que envolve um empresário estressado e um rapaz com a síndrome, este representado pelo ator belga chamado Pascal Duquennes. Ele recebeu a Palma de Ouro de melhor ator em Cannes, junto com o ator francês Daniel Auteil que representou o empresário no filme. Há também um bom documentário brasileiro que focaliza a problemática da Síndrome de Down, dirigido por Evaldo Mocarzel e que se chama “Do luto à luta”. Foi lançado em 2005, com duração de 75 minutos. Este filme recebeu o Prêmio Especial do Júri Festival de Gramado.

Caso você resida na cidade de São Paulo, já sabe: fique atento(a) e não se esqueça de assistir ao espetáculo UP 2 que será encenado no próximo mês de abril, no Teatro Dias Gomes. É uma peça musical engraçada e muito emocionante. Vá prestigiar e aplaudir o diretor Deto e sua equipe, bem como todos os atores e atrizes.

Nos veremos lá!

Inês do Amaral Büschel, em 24 de março de 2011.

Anúncios