MANAUS, ou Manaós (capítulo I)

 
Boi-Bumbá

Há tempos vinha acalentando a idéia de conhecer a cidade de Manaus. Sim, a cidade e não a selva amazônica. Sou uma pessoa       completamente urbana. Gosto do frenesi das cidades, do asfalto e, como todos que já me conhecem bem sabem, tenho medo da natureza. Também não gosto de praias. Tenho um amigo que, certa vez e com muita indignação, disse que se dependesse de mim eu mandaria asfaltar todas as praias, pois não gosto de areia!! Também não exagero tanto assim…

 Portanto, nada de passear dentro da floresta ou navegar dias pelo magnífico rio Amazonas, o maior do mundo em extensão. Desejava apenas conhecer a cidade de Manaus, que recebeu esse nome por causa da tribo indígena que habitava aquele território no princípio dos tempos, e que se chamava Manaós, cujo principal chefe seria Ajuricaba. Vale a pena ler a peça teatral escrita por Márcio Souza, “A paixão de Ajuricaba”, editora Valer, Manaus.

Visitar tribos indígenas? De jeito nenhum! Não me sentiria bem fazendo isso. Se eu fosse antropóloga, bióloga, ambientalista ou, enfim, uma cientista social, tudo bem. Mas vê-los de longe apenas para saber como são? Sinto vergonha de fazer isso e acho desagradável. Não gostaria de receber visitas de estrangeiros que quisessem apenas ver como é meu cotidiano, tal qual um reality show tupiniquim. Eu prezo o direito à intimidade. E, se isso não é agradável para mim, penso que não deve ser para ninguém. Já sinto muita culpa por ser branca (complexo de alemão!) e saber que os europeus mataram tribos inteiras com o intuito de “civilizá-los” ou, melhor dizendo, escravizá-los. Isto me basta para poupá-los da minha visita.

Bem, enfim chegou uma oportunidade e nas férias do trabalho de minha filha, ela convidou-me para passarmos nove dias e noites em Manaus. Lá fomos nós, sozinhas, por conta e risco próprio sem grupo de excursão. Partimos de avião no dia 18 de novembro p.passado e retornamos a SP no dia vinte e sete.

Hospedamo-nos no Tropical Hotel Manaus, localizado às margens do Rio Negro, no bairro de Ponta Negra: http://www.tropicalmanaus.com.br/portuguese/ 

Os hóspedes desse hotel formam uma verdadeira ONU: são franceses, alemães, belgas, norte-americanos, japoneses, chineses, coreanos, argentinos, africanos etc. Tem até paulistas…

Soube que esse hotel foi construído pela Varig no final da década de 1970, mas hoje já pertence a outro proprietário. É um resort muito grande e bem bonito, mas bastante afastado do Centro da cidade de Manaus. Portanto, dali você é obrigado a locomover-se de táxi e haja dinheiro, pois cada saída lhe custará R$50,00 para ir até o Centro fazer compras, p.exemplo, e mais a mesma quantia para depois retornar ao hotel…

Todavia, você poderá também ficar quietinho por ali mesmo, tomando sol na praia às margens do Rio Negro ou na bela piscina do hotel, que também é um programa bem legal pra quem gosta. E tem a vantagem de não se aborrecer fazendo compras inúteis e sequer gastando dinheiro de táxi…Entretanto, como sou alérgica até ao Sol e por isso não gosto de praia (sabe como é, as uvas estavam verdes…) fiz a riqueza circular pagando taxistas diariamente e fazendo algumas comprinhas…

Fiquei muito surpresa com o intenso movimento da cidade. O trânsito ali é tão caótico quanto o nosso paulistano. Tem shoppings para todo lado, sempre cheios de gente. No coração do centro da cidade, onde fica o comércio popular, você mal consegue andar. É como se estivessemos em plena Rua 25 de março aqui de SP, ou seja, num formigueiro de gente! Dá para ver que o trabalho informal e o subemprego campeia por lá tal qual por aqui.

Mas não vi muitos moradores de rua e sequer meninos pedintes. Vi muita gente pobre e alguns garotos lavando pára-brisas de carros, tal como acontece em toda cidade brasileira. Nossa desigualdade social é de norte a sul, leste a oeste. Infelizmente, convivemos com essa chaga e a grande maioria de nós acha isso super normal – uns com tanto, outros tantos sem nenhum – e assim seguimos num país injusto, até quando não sei.

Ao passearmos pela cidade vimos os bairros das pessoas mais abastadas (ricas) com belas casas e edifícios modernos, bem como os bairros das pessoas de baixa renda (pobres) com casas simples e bem improvisadas com seus “puxadinhos”. http://www.manaus.am.gov.br/

Sentimos muita falta de informações sobre ruas, pontos turísticos. No hotel sequer distribuem mapas da cidade contendo as ruas principais ao menos. Quase ao final da nossa viagem encontramos, finalmente, um posto de serviço turístico oficial bem ao lado do belíssimo Teatro Amazonas. Mas ali também o serviço é acanhado. Penso que nós brasileiros não despertamos ainda para a importância da indústria que é o turismo, uma fonte de dinheiro. O Estado mínimo dos neoliberais não permite gastos públicos e se o mercado não se interessar em investir no turismo em todos os cantos do país, ficaremos assim à míngua e perdendo riquezas.

Aliás, por falar no tal do mercado, para variar fiquei “p” da vida com ele, pois ao procurar por CDs de músicas nativas de qualidade, nas pequenas e grandes lojas só encontrei CDs de músicas de consumo de massa, que é o estilo preferido pelas empresas multinacionais de produção musical. Consegui, entretanto, encontrar alguns poucos CDs de músicas regionais menos barulhentas, na loja Bemol da rua Barroso. As lojas Bemol de lá são iguais as lojas Bahia dos paulistas. Um desses CDs é do ótimo grupo “Raízes Caboclas”:

http://portalamazonia.globo.com/pscript/noticias/noticias.php?pag=old&idN=57396

Teatro Amazonas

Mas, garimpando, perguntando aqui e acolá, acabamos encontrando pepitas de ouro musicais na lojinha do Teatro Amazonas, claro! http://www.cultura.am.gov.br/programas_02.php?cod=0255

Lendo os jornais diários A Crítica e Em Tempo, assistindo a TV local e prestando atenção a tudo, percebi que há um grande poeta amazonense (além do Thiago de Mello e tantos outros, claro!) chamado Celdo Braga, que também faz letras de músicas e que eu não conhecia, pois minha ignorância é generalizada,: http://portalamazonia.globo.com/celdobraga/raizesapresentacao.htm

Comprei um CD “Imbaúba e o poeta Celdo Braga, cantAmazônia”, que já ouvi e achei lindíssimo:

http://www.imbauba.art.br/

Já ouvi também, um outro CD que comprei lá, do Grupo Jacobiando, “Jacob vs Waldir”, Choro com sotaque amazônico, que adorei:

http://video.google.com/videoplay?docid=-7529303081601982930#

Nada sei sobre o folclore do boi-bumbá e para entender um pouquinho dele, trouxe comigo um DVD do festival de Parintins. Finalmente entenderei a disputa entre os bois Garantido e o Caprichoso.

Bem, este texto está ficando muito longo e vou parar por aqui. Continuarei contando minhas experiências em Manaus num outro texto, em continuação. Até breve!

Inês do Amaral Büschel, em 2 de dezembro de 2010.

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