PARTIDOS POLÍTICOS E MOVIMENTOS SOCIAIS.

Em tempos de eleições gerais venho acompanhando o noticiário diário e fico pensativa: como podemos agir para que todas as pessoas percebam que para melhorar o seu próprio bairro, a sua cidade, a sua região, estado ou mesmo o seu país, é preciso participar ativamente da política partidária de alguma maneira?

igrejaVejo ao meu redor que a maioria das pessoas orgulha-se de pertencer a uma igreja e/ou religião, e muitas vezes também gostam de dizer para qual time de futebol torcem, ou que freqüentam determinada escola de samba, ou academia de esportes, ou que são sócias de algum clube de lazer. Outras pessoas também fazem questão de dizer que praticam caridade social, seja em associações beneficentes de caráter religioso ou não, bem como em centros de evangelização espírita, algo muito comum entre nós, os brasileiros.

Nada contra tais atitudes, que são meritórias e gratificantes. Mas temos de convir que são ações voluntárias individuais e, de certa maneira, um tanto descompromissadas, ou seja, cumpre-se no período de tempo de sobra que seria dedicado ao ócio. Escolhe-se, então, ser útil ao próximo, o que é louvável. Mas é uma atividade que não te compromete socialmente, pois ninguém é louco a ponto de reprovar a prática da caridade.

Todavia, é muito raro – principalmente na classe média – ouvir-se alguém falar com orgulho de que é ONGfiliado a algum partido político ou que milita na política sindical de sua corporação privada ou pública, ou até mesmo em movimentos sociais ou alguma organização não-governamental que vise a promoção de políticas públicas setoriais, tais como saúde da mulher, proteção às pessoas idosas ou com deficiência, transporte público, educação, reforma agrária, cultura, democratização do espaço público, combate ao trabalho infantil e contra a prostituição de adolescentes, habitação, segurança alimentar etc.

torcida-organizada-1Mas, por que para uma grande parcela da sociedade brasileira é um orgulho pertencer a uma igreja ou a uma torcida organizada de futebol, mas o mesmo não ocorre com respeito a pertencer a um partido político, sindicato ou movimento social? Fico pasmada, pois são essas atividades coletivas que são imprescindíveis para que se melhore o índice de desenvolvimento humano de um povo. Parece haver uma aversão ao exercício da política .

Como regra geral, a atividade religiosa restringe-se ao aprimoramento da vida espiritual e privada das pessoas, mas não é uma atividade coletiva que tenha como objetivo a melhoria das condições sociais de um grupo humano. Para isto é indispensável a prática política coletiva que se faz em outros lugares públicos, podendo até mesmo ser numa pastoral religiosa, pois aqui já se tratará de atitude política fora da igreja. Mas nisto também há poucos adeptos. Falta gente para fazer pressão aos governantes pela melhoria dos serviços públicos.

politico-chargeVejo as pessoas torcerem o nariz ao verem se aproximar delas alguém que faz militância em partido político, mesmo que essa pessoa seja seu colega de trabalho ou até mesmo algum parente. É raro ver-se seu acolhimento com alegria. São vistos com suspeição. Parece que todos visam manter-se longe desse tipo de pessoa. E observo que isso acontece em grupos de pessoas com nível universitário completo. O que considero mais grave ainda, pois concluo que sequer a educação superior faz superar o preconceito – ou o medo – existente contra políticos.

As pessoas frequentam Universidades, mas continuam a viver dentro das cavernas…e com medo de fantasmas…

Sei que as ditaduras – governos autoritários – a que fomos submetidos durante décadas deixaram marcas de medo em todos nós. Mas quem tem medo vai morrer de tanto ter medo. Para viver é preciso enfrentar o sentimento de medo. Sei também que os meios de comunicação – jornais, rádios e TVs – agem como verdadeiros partidos políticos ilegais – pois não se registram como tais – , induzindo as pessoas a capa_tempo_politica1generalizar os erros ou crimes praticados por alguns políticos, fazendo parecer que todos eles são iguais. Batem nessa mesma tecla dias e dias seguidos. Mas, ao mesmo tempo essa mesma mídia, sutilmente, sempre apóia um ou outro político que lhe é favorável e muitas pessoas sequer percebem esse jogo esperto. Enfim, são tantos os perigos desta vida, que os cidadãos acabam preferindo omitir-se. E deixam-se governar por quem gosta de política.

Mas isso – a omissão – é um erro que se comete contra si mesmo, pois quem não sabe que “se correr o bicho pega, e se ficar o bicho come”? É melhor seguir caminhando firmemente, com altivez, dando suas opiniões políticas para melhorar não só a própria vida, como também a de todos que vivem no mesmo barco. É preciso ter coragem de participar dos movimentos políticos coletivos e, como diz o ditado popular, “pôr a cara para bater“.

Politica - Para nao ser idiotaFinalizando, gostaria de lembrar que nossa Constituição Federal quando cuida dos nossos direitos políticos, no artigo 14,  inicia dizendo que “a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto” e, mais adiante, diz que – dentre outras – uma das condições para a elegibilidade é “a filiação partidária”. Portanto, a filiação partidária é um direito de todos e uma obrigação no caso daqueles que desejarem um dia candidatar-se a algum cargo político.

Nós, os eleitores, devemos ficar bastante atentos à filiação partidária dos candidatos. Infelizmente, por falta de participação na política, ainda não temos o costume de nos atentar para esse detalhe e votamos, na maioria das vezes, prestando atenção apenas na pessoa do candidato e desprezando o partido no qual ele está filiado. Isso quando não votamos sem prestar atenção alguma ao que estamos fazendo…

Mas, como a política partidária é um exercício coletivo de cidadania e “uma andorinha só não faz verão”, o candidato que em público omite o partido a que pertence está, de certa maneira, iludindo o eleitor, pois sozinho ele nada fará. Suas propostas e projetos por mais idealizados que sejam, só se concretizarão se o partido político ao qual ele está filiado estiver afinado com elas.

Queira ou não, é o partido político que tem peso nas votações das leis. Sempre foi assim e assim será em toda democracia representativa.

Inês do Amaral Büschel, em 07 de setembro de 2010.

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