ELEIÇÕES 2010.

Bem, hoje farei um manifesto-desabafo. Aliás, acabo de lembrar-me de um samba bem legal, que se chama Plataforma, e foi escrito por João Bosco nos anos 70 (acho), que diz num de seus versos o seguinte:

Não sou candidato a nada/ meu negócio é madrugada/ Mas meu coração não se conforma/ O meu peito é do contra/ e por isso mete bronca/ Neste samba plataforma /…”

Pois, então. Deixo aqui claro que não sou candidata a nada, não sou filiada a partido político algum e nem mesmo pertenço a alguma agremiação religiosa. Isso tudo pelo simples fato de que não tenho a disciplina necessária para tais atividades, apesar de ter minha fé nas pessoas e na possibilidade de uma vida social, no convívio coletivo. Mas isso não significa que as pessoas tenham licença para enviar-me emails que desqualifiquem candidatos às próximas eleições presidenciais. Acho uma indesculpável falta de educação, alguém achar que está ao lado da verdade e da luz e que, certamente, seus amigos e conhecidos devem pensar exatamente como ele (a). E partindo desse princípio inventado por ignorantes – de que pessoas do bem pensam igual – indelicadamente, passam a enviar emails horrorosos e arrogantes a todos, ou falam tais grosserias até mesmo pessoalmente.

Queria, por isso, declarar aqui o meu voto. Poderia guardar segredo, pois a lei me assegura esse direito. Mas faço questão de declará-lo. Votarei na candidata do Partido dos Trabalhadores e a seguir explicarei a você leitor ou leitora, as minhas razões.

Porque votarei em Dilma Rousseff para Presidenta do Brasil:

1º. Porque numa sociedade democrática cada um é livre para escolher em quem votar. Dou muito valor ao meu voto, considerando-o UM DIREITO e não só UM DEVER e não pertenço àquela tribo de pessoas que acham que TODO político é ladrão. Infelizmente, tem ladrão em qualquer agrupamento humano desde que o mundo é mundo, e isso não nos dá o direito de generalizar o que é da característica de alguns;

2º. Por outro lado, assim como respeito a liberdade de escolha de cada um para votar em quem quiser, escolhi votar nela. Não será a primeira vez que escolho votar em UMA CANDIDATA MULHER do Partido dos Trabalhadores ou de partidos coligados a ele, pois dentro do jogo de xadrez da política, posiciono-me sempre ao lado da esquerda democrática, humanista e progressista, ou seja, daqueles que devem ter compromisso com uma distribuição mais justa da riqueza nacional;

3º. Porque embora aceite a opinião de amigos, minhas decisões são tomadas após leituras e reflexões. Não sou ingênua a ponto de dar crédito a distorções, difamações covardes e anônimas, enfim, factóides que veiculam pela internet. Claro que leio jornais e revistas diariamente, vejo TV, navego na internet e ouço rádio. Mas os meios de comunicação de massa servem-me exatamente como “MEIOS”, ou seja, como uma espécie de bússola, para eu saber quais são os fatos que a mídia escolhe (ou censura!) para serem noticia e para onde os donos do poder querem levar a opinião pública. Entretanto, resisto bravamente ao efeito intimidante que a espiral do silêncio exercida pela mídia de massas quer impor, quando tenta nos incutir uma opinião através da repetição: vão repetindo o mesmo bordão, repetindo, repetindo, repetindo até nos causar náuseas. Com todo o respeito que os jornalistas merecem, eu voto em políticos e não neles;

4º. Porque conheço – um pouco ao menos – da personalidade e da história pessoal da Dilma Rousseff e sei que ela é pessoa séria e tem virtudes invejáveis, pois lutou, continua lutando, e prosseguirá dedicando sua própria vida pessoal pelo respeito aos direitos humanos e à democracia no Brasil, bem como ao bem estar e felicidade do povo brasileiro sem discriminações e também aos estrangeiros que aqui decidam viver. Só quem gosta do Brasil e respeita seu povo poderá desejar que este país deixe de ser periférico de uma vez por todas, como queria nosso mestre Celso Furtado;

5º. Porque penso que está na hora do Brasil ser governado por uma mulher – AFINAL, NÓS, AS MULHERES, SOMOS MAIORIA NA POPULAÇÃO BRASILEIRA – que nada fica a dever aos homens de valor deste país, pois ela tem estrutura moral para enfrentar “a força da grana que ergue e destrói coisas belas” a que se refere o poeta Caetano Veloso em sua canção, possuindo coragem suficiente para enfrentar os interesses egoístas dos detentores do capital privado nacional ou estrangeiro que, frequentemente, não se pautam pelo respeito às leis e às regras da ética vigente. O mundo atual é governado pelo interesse particular de grandes corporações, que detém quase toda a força política internacional;

6º. Porque ela merece essa minha homenagem por ter sofrido muito nas mãos de funcionários públicos perversos (autoridades policiais brasileiras), quando era jovem e apenas exercia seu legítimo direito à resistência a um golpe de estado praticado em 1964 não só por militares das Forças Armadas brasileiras, mas também por muitos fazendeiros, banqueiros, empresários brasileiros e estrangeiros, além de altas autoridades religiosas. Como escudo usaram a mentira de que havia uma ameaça comunista no país (um arremedo do caça às bruxas ou macarthismo dos EUA na década de 1950) amedrontando assim grande parte da classe média brasileira católica e instalando aqui um terrorismo de Estado. Sabemos que entre os reais objetivos dos golpistas, figurava barrar a reforma agrária apoiada pelo Presidente Jango (governo eleito), bem como realizar grandes negócios. E conseguiram;

7º. Porque como ministra do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela demonstrou a capacidade de se fazer respeitar por todos, de trabalhar priorizando o interesse público, o desenvolvimento sustentável do país e a busca do pleno emprego. Dessa maneira será possível a ela realizar o sonho de Tiradentes, o mineiro Joaquim José da Silva Xavier, que repetia sempre a seguinte frase “se todos quisessem poderíamos fazer do Brasil uma grande nação”. Confio num futuro governo de Dilma Rousseff que, certamente, se inspirará nesse pensamento e, como futura Presidenta, buscará cada vez mais tornar o Brasil um país melhor e independente, mantendo relações de paz e solidariedade para com os países vizinhos;

8º. Porque a ministra Dilma é uma mulher inteligente e sensível, feita de carne e osso, é mãe de uma jovem advogada e soube equilibrar a maternidade com a vida profissional. Age livremente e demonstra vontade própria assumindo suas responsabilidades. Como qualquer um de nós, ela é ser humano e, portanto, também não é perfeita. Não se envergonha de chorar quando se emociona. Sabe que o povo brasileiro foi enganado por antigos governantes e oligarcas autoritários que mantiveram e desejam manter o país no atraso e sob suas ordens e que, por isso mesmo, não só não há mais tempo a perder, como precisamos recuperar o tempo perdido;

9º. Porque desde a juventude, sempre me posicionei ao lado de suas lutas, com erros e acertos. Pertenço a mesma geração dela, nascida ao final da década de 1940. Acredito na democracia real, que se concretizará no Brasil com a emancipação do povo brasileiro, que será conquistada por intermédio de uma educação libertadora de qualidade, que incentivará tanto o conhecimento científico como a valorização de nossa cultura regional e nacional;

10º. Porque há em meus sonhos uma nação brasileira livre, justa e solidária que terá erradicado a miséria; um país onde todos obedeçam à ordem constitucional democrática e ninguém passe fome ou more na rua; onde não exista criança abandonada e haja trabalho digno e bem remunerado para todas as pessoas adultas e, onde tanto as pessoas idosas como as que sofrem de alguma enfermidade mental ou deficiência, sejam respeitadas e amparadas não só pela família e pela sociedade, mas também pelo Estado. E sei que a Dilma Rousseff também sonha com a real e digna inclusão dos desvalidos na sociedade brasileira;

É isso. Escolhi dez razões porque um dia eu soube que uma professora universitária, ao tomar conhecimento de que uma aluna sua – amiga minha – tinha votado no Lula para Presidente, pediu a ela, em frente à classe toda, que desse ao menos três razões para ter feito aquilo! Bonito, não acham?

E essas pessoas tão escolarizadas, com nível superior completo e livre-docência, ainda se julgam “super-democráticas”…

Viva e deixe viver!

Inês do Amaral Büschel, em 30 de março de 2010.

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