QUE MARAVILHA: É UMA MENINA!

Quando o pai e a mãe do bebê, e todos os demais membros das respectivas famílias, em qualquer parte do mundo, comemorarem assim o nascimento de uma menina: Mas que maravilha, é uma menina! aí sim, teremos de reconhecer que a sociedade humana terá melhorado muitíssimo o tratamento social dado às mulheres.

 Mas, enquanto bebês femininos forem desvalorizados e até mesmo repudiados – quando não mortos no ato do nascimento – caberá a cada uma de nós, ou seja, a todas as mulheres do mundo, lutarmos pelo reconhecimento de nossa dignidade humana independentemente de etnia, idade ou classe social. E, é claro, não dispensamos a ajuda dos homens que queiram colaborar conosco nessa luta.

E, quando esses bebês-meninas forem adultas, deverão continuar a ser tratadas com todo o respeito social, mesmo que não se tornem mães. Não é a maternidade que dá dignidade à mulher. A dignidade humana não requer condições sociais. Ela será mãe apenas se assim o desejar. No entanto, sabemos que ainda hoje, não é bem assim em qualquer país do planeta. Aliás, mesmo sendo mães, as mulheres são maltratadas pela sociedade. Apenas piora um pouco a sua condição quando não são mães.

Como regra geral – pois há exceções – na velhice todos nós sofremos um pouco, sejamos homens ou mulheres, mas mesmo sendo velhas sofridas somos nós que temos a obrigação de cuidar dos netos e de todos os demais membros da família. Isso não poderá continuar assim, pois é injusto. Todos temos de cuidar de todos. Esta é que deve ser a regra geral.

Para amenizar um pouco o papo, lembrei-me agora de um ditado popular alemão que diz: Cada um por si e os deuses contra todos! Pensando bem, acho que a sociedade pós-moderna em que vivemos hoje, segue mais essa ordem.

Alguns homens dizem que eles saem para o trabalho fora de casa e por isso não têm condições de olhar os filhos, por exemplo. Mas, se você examinar bem a questão, não é tão simples assim. Tirando as exceções particulares de sempre, a literatura mundial nos traz notícias de que as mulheres – e também as crianças – sempre trabalharam muito dentro e fora de casa. Há algo de muito errado na divisão das tarefas domésticas. Acho que aqui a força física masculina se impôs. A lei do mais forte predominou sobre todos os credos.

Reconheço que a sociedade humana tem tido alguns avanços nessa questão de gênero. Mas, ainda é enorme o número de mulheres que apanham de seus maridos, pais e irmãos. O crime de estupro, por exemplo, ainda não horroriza todas as pessoas, nem mesmo quando se tratam de meninas vítimas de seus parentes. Isto tudo ocorre pela desvalorização social das mulheres. Percebo à minha volta, que há muitas mulheres acuadas, vivendo no mundo das cavernas e iludindo-se romanticamente. Parece que lhes colocaram uma gaze nos olhos desde o nascimento. Não se enxergam direito, não aprenderam a se respeitar e a se fazer respeitar. Aprenderam apenas a obedecer a quem manda, em geral, um homem.

Há uma certa má vontade da sociedade com relação à luta feminista, que busca a emancipação social da mulher. Muitas mulheres, algumas até bem escolarizadas, fazem coro com muitos homens espertos e dizem por aí – negando o feminismo – que nem todas as mulheres são “santas” e que há muita maldade praticada por mulheres. Mas quanta confusão! A luta feminista não prega a inocência de todas as mulheres. Não é disso que se trata! Ninguém é louco a ponto de dizer que uma mulher é sempre inocente. Ela é um ser humano como outro qualquer. As mulheres e homens que praticam crimes devem ser igualmente responsabilizados por seus atos, mas isto é outra coisa. O que o movimento feminista quer dizer é que a sociedade deve valorizar as mulheres tanto quanto valoriza os homens, só isso. Trata-se de valores humanos e sociais.  

Por exemplo, quando a mulher faz trabalho igual ao do homem, deve receber salário igual ao dele. As mulheres que trabalham fora de casa e, além disso, ainda cuidam de seus filhos e familiares, bem como dos afazeres domésticos, precisam receber algo a mais do que aqueles homens que só trabalham fora de casa. Caso haja homens na mesma situação delas – acumulando trabalhos domésticos – também merecerão receber algo a mais. É isso. E as mulheres que não trabalham fora de casa, mas que cuidam de seus filhos e dos afazeres domésticos, também devem ser remuneradas por isso. Trata-se de um trabalho social tão valorizado quanto outro qualquer. Aliás, dependendo das condições sociais em que vive a mulher, o trabalho doméstico talvez seja mais estressante que muitos outros.

A educação para os direitos humanos de todos, das mulheres e meninas inclusive, precisa expandir-se pelo planeta. Não será tarefa fácil. Mas façamos o caminho ao caminhar.  Se cada uma fizer a sua parte, primeiro refletindo e convencendo-se disso, depois convencendo mais alguém do seguinte: as mulheres, desde o nascimento e em qualquer sociedade, têm o mesmo valor social que têm os homens – sem submissão, exceções ou condições.

 Amanhã, 08 de março, celebraremos o Dia Internacional da Mulher.

 Um viva a todas as mulheres! Sejam elas meninas, jovens, adultas ou idosas; solteiras, casadas ou companheiras, viúvas ou separadas, com filhos ou sem filhos!

 Inês do Amaral Büschel, em 07 de março de 2010.

Anúncios