A TERRA DE VIOLETA TREMEU.

Neste sábado, 27 de fevereiro, acordamos com a triste notícia de mais um terremoto. Agora foi a terra de Violeta Parra que tremeu, o Chile. Que notícia mais triste! Não consigo imaginar o tamanho do pavor que sente alguém ao ver a terra rasgar ao seu lado. Quando falamos coloquialmente que “perdemos o chão” frente a alguma notícia boa ou ruim, não sabemos como será sentir isso na vida real, concreta.

Sempre tive muita vontade de conhecer o Chile. Além de sentir curiosidade para ver a Cordilheira dos Andes, gostava muito dos poemas de Pablo Neruda e também da poetisa Violeta Parra, autora de tantas coisas lindas, entre elas a canção “Gracias a la vida”. Essa música foi sucesso na voz da argentina Mercedes Sosa e também na voz da nossa querida Elis Regina. Eram tempos duros de muita violência policial-militar. http://www.youtube.com/watch?v=UW3IgDs-NnA

Sobre o poeta Pablo Neruda, prêmio Nobel de literatura no ano 1971, você poderá assistir ao filme  ” O Carteiro e o Poeta”, de 1994, dirigido por Michael Radford, com roteiro baseado no livro com esse mesmo nome, escrito pelo chileno Antonio Skármeta. Se tiver um tempinho, clique agora no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=I0l2a7iS8Ew

Estive no Chile por duas vezes: em 1977 e no início da década de 90. Na segunda viagem que fiz a Santiago, um dia, visitando uma exposição da obra de Violeta Parra, conheci o nosso poeta amazonense Thiago de Mello. Fiquei emocionada ao vê-lo de tão perto. Fiz questão de cumprimentá-lo. Conversamos um pouco e eu saí dali contente prá caramba! Para saber um pouco dele clique no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=nqUeKo3C5ro&NR=1

Em 1977 conheci as cidades de Santiago do Chile, Viña del mar e Valparaiso. Gostei muitíssimo do povo chileno. Tenho carinhosas lembranças de muita gente. Aprendi muitas coisas por lá, como por exemplo, que o índice de analfabetos deles é bem baixo, hoje perto de 3,5%. Nós, no Brasil, estamos perto de 11%. Lá eu conheci a pedra semi-preciosa lápis-lázuli, de um azul maravilhoso. Também descobri que, no passado, muitos alemães imigraram para lá e contribuíram na organização do sistema de justiça chileno. Além disso, naquela oportunidade, pude ver de perto o Palácio de la Moneda ainda parcialmente destruído. Eu admirava o presidente Allende e fiquei tristíssima ao lembrar do inferno que ele viveu ali.

Na primeira vez que estive em Santiago, fiquei hospedada na casa de uma família de classe média trabalhadora. Havia pai, mãe e três filhas. Apenas me recordo do nome daquela que se tornou minha amiga: a Mônica, uns 8 anos mais nova que eu. Ela desejava vir para o Brasil à procura de emprego, pois havia crise no Chile. Eu não apoiei essa empreitada dela , demonstrando-lhe que por aqui a coisa também estava ruim. Eram tempos de ditadura militar aqui e lá.

Depois que retornei das férias passei a corresponder-me com a Mônica por intermédio de cartas. Ela se casou e eu também. Houve um tempo em que fui morar no Rio de Janeiro – entre 1979 e 1981 – e nesse período perdi o contato com a Mônica. Passamos anos sem ter notícias uma  da outra. Quando estive em Santiago pela segunda vez, acho que foi em 1991, procurei aquela família indo até o bairro onde viviam, Nuñoa. Achei o prédio onde moravam mas já não estavam lá.

A vida continuou, até que um dia, no segundo semestre do ano de 2006, recebi um email que dizia mais ou menos assim: Cara Inês, espero tê-la encontrado! Assinado Mônica. Fiquei muito feliz e dali por diante voltamos a nos corresponder via email. E viva a Internet!!Foi buscando no Google pelo meu nome que ela me achou. Soube, então, que seu pai havia falecido e sua mãe vivia numa cidade praiana. Suas irmãs estavam bem e ela tinha dois filhos.

Agora, com a notícia do terremoto, pensei imediatamente em toda a família da Mônica. Hoje, domingo, logo pela manhã enchi-me de esperança e sentei-me frente ao computador. Enviei um email para Mónica, na expectativa de que com a família dela não houvesse ocorrido nada grave. E fiquei torcendo para que a internet estivesse funcionando por lá. Adivinhem o que aconteceu? Recebi nesta tarde um email dela dizendo-me que apesar dos momentos de grande aflição pelo qual passaram, ela e família estavam bem!

Que boa notícia, não acham? E mais uma vez, viva a internet!

Gracias a la vida!

Inês do Amaral Büschel, em 28 de fevereiro de 2010.

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