MEDO DA NATUREZA – 2

Um dos primeiros textos que escrevi para este blog, em agosto de 2009, foi sobre o medo que tenho da natureza. Acho que tenho alma tupi e por isso o medo de trovão… Estou retornando ao mesmo tema em razão dos temporais que vem caindo sobre São Paulo há mais de 45 dias. Ontem, lendo o jornal da Folha de SP, no caderno Cotidiano, pág. C3, vi esta matéria e achei interessante divulgá-la:

“Raios matam mais homens, diz estudo; 5% morrem em casa

Foram 230 mortes em São Paulo entre 2000 e 2009, das quais só 15% de mulheres; maioria das vítimas é agricultor

Homens adultos estão mais expostos por exercerem mais atividades ao ar livre, como o futebol e a agropecuária, diz coordenador da pesquisa

FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Os homens são as principais vítimas de raios em São Paulo. Entre 2000 e 2009, 85% das pessoas que morreram após serem atingidas por descarga elétrica no Estado eram do sexo masculino. A informação é de um estudo do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), ligado ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Foram 230 mortes no Estado no período: 196 homens e 34 mulheres. A maioria das vítimas (60%) tinha entre 25 e 59 anos. Crianças de até 14 anos e idosos com mais de 60 foram a minoria (12%, na soma).
O Elat também identificou que a agropecuária foi a principal atividade relacionada a esse tipo de ocorrência. Do total de mortos, 20% eram trabalhadores rurais que recolhiam animais ou manipulavam ferramentas como enxada e facão no meio de plantações.
As mortes em campos de futebol vêm na segunda posição, com 15%, mesmo índice dos óbitos devido à proximidade da vítima com meios de transportes (aviões, carros, na carroceria de caminhão, sobre motocicletas, bicicletas e cavalos).
O levantamento mostra que, mesmo dentro de casa, existe o risco de morrer atingido por um raio. Morreram nessa condição 5% das vítimas. Outros 2% foram atingidos quando falavam ao telefone.
De acordo com o coordenador do Elat e da pesquisa, Osmar Pinto Junior, os homens são as maiores vítimas dos raios porque estão mais expostos. “Os homens, e os adultos, exercem mais atividades ao ar livre, como o futebol e a agropecuária”, disse.
Além disso, ele apontou que pessoas em lugares descampados têm mais chances de serem atingidas. Na quarta, um costureiro boliviano morreu em uma praça do Pari, em uma tempestade, ao voltar para casa.
É mito que homens altos são mais suscetíveis aos raios.
O Estado é líder no número de mortes por raio, com 17% dos casos registrados de 2000 a 2009 no país. Já a cidade de São Paulo é, dentro do Estado, a campeã desse tipo de ocorrência: foram 14 no período.
Junior afirma que as mortes em São Paulo são “relativamente altas” se comparadas, por exemplo, ao Estado da Flórida, o que registra mais óbitos provocados por raios nos EUA. Lá, em média, nove pessoas morreram por ano entre 1990 e 2003. Aqui, entre 2000 e 2009 foram 23. “Atribuo essa diferença à falta de informação em relação aos raios e à maneira de se proteger deles. A maioria dessas mortes poderia ser evitada se as pessoas tivessem mais informações”, disse ele.”

Há nessa notícia algumas dicas para que você possa se proteger de raios. Foram fornecidas pelo Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica). São as seguintes: (a) tente não sair para a rua. Mas se já estiver nela, procure abrigo em local fechado; (b) se não conseguir um abrigo, evite segurar objetos metálicos longos, como varas de pescar; (c) evite também empinar pipa, andar a cavalo ou nadar; (d) não use equipamentos ligados à rede elétrica como telefones com fio; (e) não fique próximo de canos, janelas ou portas metálicas; (f) fique longe de campos de futebol, topos de prédios, árvores e cercas de arame.

Entre as razões para eu ter medo da natureza, notadamente das chuvas, deve estar uma tristíssima lembrança que tenho da época de minha adolescência, quando um colega de ginásio de quem eu gostava muito – acho que se chamava Odair – morreu imediatamente após ter sido atingido por um raio, quando jogava bola no campo de futebol da escola. Foi no colégio estadual Prof. Alberto Levy, no bairro de Indianópolis, na cidade de São Paulo, em meados dos anos 60.

Desde então, acho melhor todos dedicarem-se mais ao estudo das ciências para obter sólidos conhecimentos e saber evitar maiores danos, do que dar trela a assombrações.

Inês do Amaral Büschel, escrito em 07 de fevereiro de 2010.

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