Bom humor é imprescindível

Já vivi o bastante para saber que sem bom humor não é possível conviver bem em sociedade. Se você não tiver bom humor apenas lhe restará o isolamento, ou seja, a solidão. Se não deseja estar sozinho sempre, faça algo para melhorar teu humor.

Para saber se você é uma pessoa de mau humor, verifique se quando você chega numa roda de amigos, essa roda rapidamente se desfaz. De repente todos estão com pressa e precisam ir, fazendo lembrar daquele joguinho denominado “resta um”. Isso também acontece quando chegam os chatos de todo gênero.

É tão bom rir e fazer rir! Experimente! Comece rindo de você mesmo. Quem se leva muito à sério está perdendo seu tempo. A vida é muito curta e por isso não vale a pena perder tempo com excesso de vaidade. Os ditados populares já ensinam que “O riso é o melhor remédio”; “Ri melhor quem ri por último”; “Coração alegre, bom remédio” etc.

Entre os provérbios latinos encontramos “ Rindo, dizer a verdade” e “Rindo, castiga os costumes”. Hoje em dia temos até a terapia do riso! É, rir é um processo terapêutico, acredite!

Entre os escritores paulistas há alguns de ótimo humor. Vou citar dois deles: Cornélio Pires, nascido em Tietê em 13 de julho de 1884, tendo falecido em São Paulo, em 17 de fevereiro de 1958; e o outro Juó Bananére, cujo nome era Alexandre Ribeiro Marcondes Machado, nascido em Pindamonhangaba no dia 11 de abril de 1892 e falecido em São Paulo, em 22 de agosto de 1933. Foram contemporâneos, sendo que Juó faleceu com apenas 41 anos de idade e Cornélio viveu até seus 74 anos.

Cornélio Pires fazia rir com suas prosas e poesias que retratavam os caipiras do interior paulista e o Juó, por sua vez, caçoava da “hight society” fazendo paródias com o linguajar dos imigrantes italianos do bairro do Brás.

Cornélio Pires:

Peripécias de viagem

Imbarquei no trem de ferro;

Lá na vila da Faxina;cornelio-pires0013

O bruto largô seu berro,

Saiu cortano a campina.

De aturdido os óio cerro,

já cheio de areia fina…

Chegô in São Polo. Saio…Erro

no virá a premera esquina.

Fico meio turtuviado:

Gentarada, carro, bonde

E im tuda a parte um sordado.

Fico danado, se amolo;

Vô durmi num sei adonde…

– Num venho mais pra São Polo!

Juó Bananére

(parodiando Olavo Bilac, no poema Ora (direis) ouvir estrelas!)

Che scuitá strella, nê meia strella!

Vucê stá maluco e io ti diró intanto,juo-bananere002

Chi p’ra iscuitalas moltas veiz livanto,

I vô dá una spiada na gianella.

I passo as notte acunversando c’o ela.

Inguante che as outra lá d’un canto

Stó mi spiano. I o sol come un briglianto

Nasce. Oglio p’ru ceu: — Cadê strella!?

Direis intó: Ó migno inlustre amigo!

O chi é chi as strellas ti dizia

Quando illas viero acunversá cuntigo?

E io ti diró: – Studi p’ra intendela,

Pois só chi giá studô Astrolomia,

É capaiz di intendê istras strella.

Algumas obras de Cornélio Pires foram relançadas pela Ottoni Editora (Itu, SP) em 2006; e dois livros de Juó Bananére foram relançados pela Editora 34 (SP,SP) em 2001.

Inês do Amaral Büschel, em 22 de julho de 2009.

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