Conheça meus cordéis educativos em prosa

Foram feitos três cordéis até hoje. A distribuição é gratuita.

Foram feitos três cordéis até hoje. A distribuição é gratuita.

 Porque publiquei aulas de Direito em formato de cordel

Tudo se prende ao impacto que a linguagem jurídica causou-me no ano de 1968, quando ingressei no curso de Direito da USP. Ninguém em minha família pertencia ao mundo jurídico. Fui a primeira a atrever-me. Mal conseguia compreender o que os professores diziam nas primeiras aulas. Lia os códigos de leis e espantava-me com as palavras ali escritas. Custei a acostumar-me com tudo aquilo. Sofri um bocado. E nunca me esqueci desse sofrimento, muito embora essa situação tenha sido motivo de muitas gargalhadas durante minha vida adulta.

Desde a infância gostei de ler e escrever. Nasci na cidade de São Paulo e vivi em bairros paulistanos muito populares onde os folhetos de cordel eram bastante acessíveis. Li muitos deles e achei graça naqueles versos cheios de aventuras. Impressionou-me ainda a arte da xilogravura das capas. Por certo tudo isso ficou gravado em algum canto de minha mente.

Um dia, após ter-me aposentado no Ministério Público paulista, decidi estudar uma maneira acessível de educar as pessoas comuns para o entendimento das leis. Dada a predominância da oralidade em nosso país, pensei que noções de Direito poderiam ser transmitidas paulatinamente aos indivíduos por intermédio da radiodifusão. Para isso fui fazer um curso de mestrado em Comunicação e Educação ministrado na Universidade Anhembi Morumbi. Aprendi bastante sobre teorias educacionais e também sobre teorias da comunicação. Apresentei uma dissertação cujo título foi A Educação para o Direito e sua difusão pelos meios de comunicação eletrônica de massa, obtendo aprovação final. Mas o que aprendi de verdade foram as lições de minha orientadora Profª Dra. Julieta de Andrade, que me introduziu no mundo maravilhoso da cultura popular brasileira. Li muito os escritos de Luis da Camara Cascudo.

ines_cordisNessa mesma época, final dos anos 90, eu lecionava Filosofia do Direito na UNIP e fazia trabalho voluntário no Movimento do Ministério Público Democrático lecionando para mulheres e auxiliando na coordenação do projeto Promotoras Legais Populares, uma iniciativa da organização União de Mulheres de São Paulo. Nessas atividades concentrava-me em fazer os alunos e alunas compreenderem a especificidade da linguagem jurídica e, principalmente, (a) o que é a instituição estatal denominada Ministério Público; (b) o que é o Sistema Único de Saúde – SUS, e (c) o que são os Direitos Humanos.

De tanto esforçar-me em usar palavras simples para explicar conceitos jurídicos complexos, acabei escrevendo um resumo de 3 (três) aulas que percebi terem sido bem compreendidas pela maioria dos (as) alunos (as).

Depois desse longo trajeto e tendo observado que os livros jurídicos em geral assustam os alunos que não têm familiaridade com a linguagem da ciência do Direito, surgiu-me a idéia de transformar aquelas 3 (três) aulas num folheto de cordel, cuja leitura não mete medo a ninguém. Mas pensei: não sou poeta, não sei escrever versos. Fui pesquisar como nasceram os cordéis no mundo. Descobri que na Europa, na Idade Média, havia cordéis também escritos em prosa, como romances populares. Esse tipo de literatura popular chegou até nós por intermédio de Portugal e disseminou-se primeiro pelo nordeste brasileiro em forma de versos. Ainda hoje viceja nos estados de Pernambuco e Ceará.

Assim nasceram meus cordéis. O primeiro – O que são Direitos Humanos – teve a capa ilustrada com um desenho elaborado por uma médica minha amiga, Maria Goretti Mendonça. O segundo e o terceiro – O Direito à Saúde e O Ministério Público, respectivamente, tiveram as capas ilustradas por xilogravuras elaboradas pelo artista brasileiro João Pedro do Juazeiro.

Foi uma caminhada exaustiva mas valeu a pena. Quem quiser um exemplar entre em contato comigo pelo email inesbuschel@uol.com.br

Julho de 2009.

Inês do Amaral Büschel