Nelson Mandela abril 24

NELSON MANDELA, OU MADIBA. – ÁFRICA DO SUL

 
Nelson Mandela

No meu texto anterior, logo ao final, fiz uma referência ao grande líder atual da África do Sul, o advogado Nelson Mandela, pessoa a quem dedico muito respeito por sua indignação frente à injustiça instituída pelo regime do apartheid entre brancos e negros, pela sua paciência, coragem e sabedoria. Há mais de 67 anos ele é um ativista político. Hoje conta com 92 anos de idade e está com a sua saúde bastante frágil. Seu aniversário é comemorado em 18 de julho, data que se tornou emblemática: http://www.nelsonmandela.org/index.php

Durante o período em que esteve na prisão Mandela recebeu o nº 46664, e esse número tornou-se uma marca na campanha pelo combate ao vírus do HIV em todo continente africano. Há alguns anos, Mandela teve um filho que faleceu vítima da síndrome da AIDS.: http://pt.wikipedia.org/wiki/46664

http://www.46664.com/

O nome Nelson ele recebeu de uma professora primária, que dizia ser preciso que ele tivesse um nome cristão e inglês. Por outro lado, as pessoas que gostam dele na África do Sul, chamam-no também de Madiba, que é uma forma respeitosa usada entre as pessoas do povo Xhosa, do qual ele é membro, que vivem na região do Transkei onde ele nasceu. Apesar de toda luta e honradez, há muitas críticas à sua atuação e acusações de maleabilidade e conveniência com os opressores brancos. Todavia, penso eu que são críticas injustas, pois não há como se obter a paz social e fazer funcionar um regime democrático sem que se faça alianças partidárias e pratique-se uma razoável tolerância entre uns e outros. A pureza política é intolerante. Ele também sofreu bastante devido aos conflitos familiares com seus filhos, por causa de sua militância política e também pelos divórcios. Bem se vê que Mandela é uma personalidade complexa da história da humanidade, e que sua vida merece estudo. Junto com seu antecessor na Presidência da África do Sul, Frederik de Klerk, ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz no ano de 1993.

A quem desejar conhecê-lo melhor há livros para ler e filmes para assistir. Comece pela leitura de sua autobiografia “Longo caminho para a liberdade”, publicado em 1995 pela antiga Editora Siciliano. Esse livro está esgotado, porém você poderá encontrá-lo em algum sebo. (atualizando: este livro acaba de ser relançado, em 2012, pela editora Nossa Cultura/PR) Há, também, um lançamento recente de um novo livro escrito por ele, com o título de “Conversas que tive comigo”, lançado pela Editora Rocco em 2010 e, um outro sobre ele: “Nelson Mandela – Uma lição de Vida”, escrito por Jack Lang, e publicado em português pela Editora Mundo Editorial em 2007.

Quanto aos filmes – sobre Mandela ou sobre a África do Sul – há, ao menos, dois que são recentes e fáceis de serem encontrados: (a) “Luta pela Liberdade”, cujo título original é “Goodbye Bafana”, foi dirigido por Bille August. Nele se relata a vida de um guarda-carcereiro que teve sua vida transformada devido a ter tomado conta, durante muitos anos, do prisioneiro Mandela. A palavra “bafana” significa garoto ou moleque, e é também o nome carinhoso com que o povo sul-africano se refere à seleção de futebol deles; (b)” Invictus “, dirigido por Clint Eastwood, no qual se narra o período em que Mandela assume a Presidência do país, e escolhe apoiar a seleção do esporte nacional de rugby como instrumento de união entre brancos e negros. Clique nos endereços a seguir indicados e saiba mais: http://www.cinepop.com.br/filmes/mandelalutapelaliberdade.htm

http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdefilmes/2060370

Nelson Mandela teve três casamentos. O primeiro com Evelyn, em 1944. Tiveram quatro filhos, mas um deles morreu com poucos meses de vida. Divorciaram-se em 1957. O segundo, o mais duradouro, foi com uma assistente social e ativista anti-apartheid, Winnie Mandela, em 1958 e que se estendeu até 1992. Tiveram duas filhas. Após dois anos de sua libertação da prisão que se deu em 1990, portanto em 1992, ocorreu o divórcio do casal em meio a acusações contra ela de prática de corrupção e atos de violência. Em 1998, Mandela contraiu matrimônio com Graça Machel, professora e ativista política de Moçambique, vinte e cinco anos mais jovem do que ele e viúva de Samora Machel, presidente de Moçambique.

A separação do casal Winnie-Nelson foi bastante complicada. Penso que esse fato ainda não foi bem contado. Nesse divórcio talvez tenha havido bastante interferência política, e os escândalos difundidos contra ela pesaram muito. Apesar das condenações judiciais, as acusações imputadas contra Winnie ainda merecem maiores esclarecimentos. O machismo africano certamente esteve presente, dada a importância política dessa mulher lutadora e corajosa. Para saber mais sobre a vida desse casal famoso, você poderá ler o livro dela, com o título de “Parte de Minha Vida”, publicado pelo Círculo do Livro, no final dos anos 80. Existe, também,  um documentário feito para TV que nos conta um pouco sobre esse casamento: http://www.atarde.com.br/cineinblog/?p=3026

Ouvi falar desse grande país, a África do Sul, na minha juventude e apenas pelos jornais e TV. Atentei-me à perseguição policial empreendida contra o grande líder estudantil anti-apartheid, Stephen (Steve) Biko, que pertencia à minha geração. Biko foi assassinado pela polícia. Se você quiser saber um pouco mais sobre a vida desse jovem homem admirável, há um ótimo filme lançado em 1987, um drama de 157 minutos que conta um período da história desse valente ativista: “Um grito de liberdade”, dirigido por Richard Attenborough e protagonizado pelo ator Denzel Washington.

http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=57

A ausência da história africana em nosso ensino foi – e ainda é – uma das grandes falhas de nossa educação pública. Na escola, até há poucos anos, apenas aprendíamos sobre a África por conta do Egito antigo e do povo árabe, mas nada sobre o povo negro da África subssariana. Havia alguma referência ao continente africano por causa do regime da escravidão no Brasil e dos poemas de Castro Alves. Nada mais. Nem Uganda, Ruanda, Zimbabue, Nigéria, Angola, Moçambique etc e, sobre a África do Sul, sequer se mencionava o massacre de Shaperville e tampouco o Levante (e massacre) de Soweto.

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/3/21/o-crime-de-shaperville

http://pt.wikipedia.org/wiki/Levante_de_Soweto

Todavia, a partir 1988, quando da promulgação da nossa atual Constituição Federal, iniciou-se no campo político-jurídico uma reparação a esse erro histórico. Quando cuidamos da Cultura, no artigo 215 da CF, o § 1º, dispõe que: “O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.” Quinze anos após a vigência da Constituição, foi promulgada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei federal nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para fazer incluir no currículo oficial do ensino fundamental e médio, a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.

África

Apesar dessa lacuna em minha formação escolar, fui buscando, paulatinamente, mais informações especificamente a respeito desse interessante país, a África do Sul. Pude inteirar-me sobre o cruel regime do apartheid entre brancos e negros, sobre a luta contra os passes obrigatórios para pessoas negras e imigrantes estrangeiros, ainda no período em que o ativista da não-violência, o advogado indiano e hindu, Mohandas K.Gandhi, o venerável Mahatma, ali viveu e trabalhou.

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/cidadania/0046.html

Depois de ter conhecido a história de Steve Biko, ouvi a cantora-ativista anti-apartheid, Miriam Makeba (falecida em 2008) e dela fiquei fã para sempre, bem como da bela música popular negra daquele país: http://www.youtube.com/watch?v=3cu4MIOqw4M&feature=related

Conheci e gostei também do bem humorado e incansável Arcebispo e Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu. Passei a interessar-me mais sobre a história de Mandela e de sua mulher Winnie, sobre o partido político CNA, sobre os dois grandes escritores sul-africanos que ganharam o prêmio Nobel de Literatura: Nadine Gordimer, em 1991 e J.M. Coetzee, em 2003, ambos com livros traduzidos para o português e publicados pela editora Cia. das Letras. Esse povo que combateu o regime do apartheid merece nossos aplausos! Amandla!

http://www.vagalume.com.br/anastacia/amandla-46664-concert-mandela.html

Para conhecer apenas um pouco da violência sócio-policial cometida contra o povo negro sul-africano, se puder, assista ao filme “Sarafina”, dirigido Darrel Roodt. Embora, surpreendemente, não tenha sido lançado no circuito brasileiro, pode-se encontrá-lo em DVD: http://www.telacritica.org/sarafina.htm

África do Sul

Tente assistir ao documentário feito para a TV a respeito dos governos pós-Mandela: http://www.tvcultura.com.br/culturadocumentarios/blog/34449

Nós brasileiros temos um grande lastro cultural africano e precisamos saber mais sobre esse nosso passado, para não perdermos de vez o trem da história.

Saravá!

Inês do Amaral Büschel, em 24 de abril de 2011.